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Dólar recua 0,20% e fecha a R$ 3,22

Já a Bovespa sucumbiu ao território negativo e terminou em queda de 0,5%, pressionada pelas blue chips

Paula Dias,Lucas Hirata, Ana Luísa Westphalen, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2016 | 19h23

O mercado de câmbio no Brasil teve dois momentos distintos nesta quarta-feira. Pela manhã, o dólar operou em alta, refletindo postura ainda cautelosa do investidor com incertezas dos cenários interno e externo. À tarde, passou a ceder, até fechar cotado a R$ 3,2240, em baixa de 0,20%.

Segundo profissionais ouvidos pelo Broadcast, a expectativa por um possível tom mais "hawkish" (duro) da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, somada à queda dos preços do petróleo e incertezas com o cenário fiscal brasileiro, contribuiu para a pressão de alta do dólar pela manhã. A votação parcial da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) reforçou a percepção de que o governo enfrenta dificuldades no Congresso, na véspera do julgamento final do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Dois destaques ao texto-base não foram votados, uma vez que o governo não obteve o quórum mínimo de congressistas. A votação dos destaques foi adiada para a próxima sessão do Congresso, ainda sem data marcada. 

Apesar do desconforto dos investidores diante das indefinições, um fator relativamente técnico chamou a atenção dos operadores: ao encostar no nível dos R$ 3,25, o dólar passou a atrair ordens de venda, primeiro por parte de exportadores, no mercado à vista, e posteriormente, por tesourarias bancárias, no mercado futuro. Desde a última quinta-feira o mercado vem trabalhando com um intervalo informal entre R$ 3,13 e R$ 3,24 para o dólar à vista. Isso porque o Banco Central elevou a oferta de contatos de swap cambial quando a cotação ameaçava cair abaixo de R$ 3,13 e reduziu a oferta quando a divisa encostou nos R$ 3,24.

"O mercado respeitou o Banco Central, que sinalizou claramente um intervalo de flutuação entre R$ 3,13 e R$ 3,24", disse Ricardo Gomes da Silva, diretor da Correparti Corretora. Segundo ele, a expectativa de que o BC pudesse de alguma maneira voltar a atuar com maior firmeza no câmbio acabou por deflagrar ordens de venda por parte de exportadores. As tesourarias teriam vindo em seguida, reduzindo posições compradas.

O diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, apontou que o dólar entrou em um território "favorável para venda" quando se aproximou dos R$ 3,25. "É um patamar que incentiva a venda", afirmou o especialista.

Ações. A Bovespa bem que tentou uma recuperação no começo da tarde, mas foi pressionada pelas perdas vistas em Nova York e sucumbiu ao território negativo nesta quarta-feira, sinal que predominou durante praticamente todo o pregão. O Ibovespa terminou o pregão desta quarta-feira em queda de 0,52%, aos 57.717,88 pontos, distante da mínima, quando chegou a recuar 0,97%, aos 57.456 pontos. 

A cautela diante da chance da retomada do aperto monetário nos Estados Unidos e a forte queda das commodities no exterior acabaram afastando os investidores de ativos de risco, o que penalizou a Bolsa brasileira.

Entre as blue chips, Vale foi destaque de queda, com perdas de mais de 3,0% refletindo o fraco desempenho das pares internacionais em meio à desvalorização do minério de ferro e do balanço considerado preocupante da Glencore. Internamente, a dificuldade do governo interino de Michel Temer em torno das medidas de ajuste fiscal desagrada, mas não chegou a fazer preço nos ativos diante da percepção de que o tema deve ganhar maior relevância após o início do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff no Senado.

Entre as blue chips, as ações da Petrobras terminaram em queda de 1,94% (ON) e 2,13% (PN).

Já os papéis da Vale recuaram 3,20% (ON) e 3,23% (PNA), em linha com as perdas de suas pares globais. Além da desvalorização do minério de ferro no exterior, o setor também foi penalizado pelo balanço da Glencore, que preocupou os investidores. A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 369 milhões no primeiro semestre. A receita diminuiu para US$ 69,4 bilhões, uma queda de 6% na mesma comparação anual, em grande medida diante dos preços menores das commodities. 

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