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Dólar recua com operação maior de vendidos

O mercado de câmbio doméstico descolou do exterior e recuperou dinâmica própria nesta terça-feira

30 de abril de 2013 | 10h35

O mercado de câmbio doméstico volta a ter dinâmica própria durante esta terça-feira, 30, independentemente da volatilidade do dólar no exterior. A disputa no mercado futuro entre comprados e vendidos em câmbio já começou acirrada. Os bancos e investidores estrangeiros, que estão vendidos líquidos em derivativos cambiais, saíram na frente, garantindo a queda do dólar na abertura. Já os fundos de investimento, que detêm exposição comprada líquida, exerceram uma forte pressão e o dólar chegou a subir pontualmente mas, em seguida, perdeu força. Por enquanto, os "vendidos" mostram certa vantagem. O dólar à vista abriu a R$ 2,0060 (estável) e, às 9h33, estava na mínima, a R$ 2,0040 (-0,10%).

No mercado futuro, no mesmo horário, o vencimento de dólar para junho de 2013, que passa a ter maior liquidez a partir desta terça-feira, 30, caía 0,22%, a R$ 2,0135. Este vencimento começou o dia a R$ 2,0165 (-0,07) e, até esse horário, oscilou de R$ 2,0130 (-0,25%) a R$ 2,0195 (+0,07%). Já o dólar com vencimento em 1º de maio abriu a R$ 2,007 (-0,12%) e, até o mesmo horário acima, oscilou de R$ 2,0035 (-0,30%) a R$ 2,0095 (estável).

Ao longo do dia, o rumo do dólar também dependerá do tamanho do fluxo cambial diário. Na segunda-feira, 29, pela manhã, houve ingressos superiores às saídas de recursos e, mesmo assim, o dólar subiu, após iniciar o dia em baixa, pressionado pela briga antecipada em torno da Ptax.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, sustentou as expectativas de novos ingressos de recursos no País. Augustin disse que o governo poderá fazer emissões externas nas próximas semanas. "No ano passado e no início deste ano, com a volatilidade mais forte, optamos por não fazer (emissões), mas os sinais são de que a volatilidade diminuiu bastante", afirmou.

Na BM&Fbovespa, as ações da Smiles, gestora do programa de milhagens da empresa aérea Gol, fecharam em alta na sua estreia ontem na BM&FBovespa, enquanto os papéis da BB Seguridade, companhia de seguros do Banco do Brasil, encerraram em queda. As ações do BB Seguridade representaram, entretanto, o maior giro financeiro da Bolsa, chegando a R$ 1,4 bilhão.

Os papéis da Smiles fecharam cotados em R$ 23,00, 5,99% acima do preço do IPO, de R$ 21,70. Na máxima intradia o papel chegou a ganhar mais de 11%. A oferta pública inicial de ações da empresa movimentou até R$ 1,132 bilhão, de acordo com informações enviadas à CVM na quinta-feira passada, 25.

Já as ações da BB Seguridade encerraram na segunda-feira, 29, a R$ 16,60, em queda de 2,35% frente ao preço do IPO de R$ 17,00. O preço foi definido também na quinta-feira, 25, e a oferta movimentou R$ 11,48 bilhões.

O diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, calcula que o mercado brasileiro tem potencial para, no mínimo, ser palco de R$ 20 bilhões em ofertas de ações. "R$ 20 bilhões em oferta de ações é um número que vamos conseguir atingir com tranquilidade. A volta do investidor estrangeiro nos dá uma motivação maior para buscarmos esse volume em 2013", disse Edemir. De acordo com ele, as ofertas de ações já movimentaram R$ 14,5 bilhões este ano, montante superior ao valor captado no ano passado, de pouco mais de R$ 13 bilhões.

No mercado internacional de moedas o euro está em baixa em relação ao dólar, que, por sua vez, exibe leve queda em relação ao iene. A moeda norte-americana também mostrava sinais desiguais em relação a divisas correlacionadas a commodities.

Nos Estados Unidos, começa nesta terça-feira, 30, a reunião de dois dias de política monetária do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve. Como a decisão do Fomc será anunciada na quarta-feira, 1º de maio, quando os mercados no Brasil estarão fechados, os agentes domésticos tendem a reagir na quinta-feira, 2 de maio, a alguma eventual sinalização do Federal Reserve sobre a política de estímulos à economia do país.

Na zona do euro, o aumento do desemprego em março (+12,1%) em linha com o esperado e a alta da inflação ao consumidor em abril (+1,2%) abaixo das expectativas (+1,6%) reforçam a possibilidade de que o Banco Central Europeu poderá cortar sua taxa básica de juros na reunião de política monetária prevista para quinta-feira. A aposta de uma redução de juros começou na semana passada, após a divulgação de outros dados ruins de atividade no bloco do euro.

No Japão, embora o aumento da produção industrial em março (+0,2%) tenha ficado abaixo das expectativas (+0,4%) em relação a fevereiro, com ajustes sazonais, é a primeira vez que o indicador tem alta de quatro ou mais meses consecutivos desde os desastres de março de 2011. O Ministério de Economia, Comércio e Indústria (METI, na sigla em inglês) disse que as empresas esperam que a produção cresça 0,8% em abril e diminua 0,3% em maio, em pesquisa divulgada junto ao dado.

Em Nova York, às 9h37, o euro estava em US$ 1,3074, ante US$ 1,3099 no fim da tarde de ontem. O dólar caía a 97,56 ienes, de 97,77 ienes na véspera. Já a moeda norte-americana subia ante o dólar australiano (+0,11%), e o peso chileno (+0,03%); e recuava ante o dólar canadense (-0,10%), a rupia indiana (-0,83%), o peso mexicano (-0,12%) e o dólar neozelandês (-0,04%).

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