JF Diorio/ Estadão
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Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Após apoio de Bolsonaro a Guedes, Bolsa fecha com alta de 3%; dólar fica em R$ 5,65

Aparição do presidente ao lado de ministro, aliviou os temores de demissão na Economia; apesar de resultado estável, moeda teve picos de alta e foi negociada a R$ 5,71

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 09h58
Atualizado 27 de abril de 2020 | 18h35

A Bolsa de Valores de São Paulo tem um pregão de recuperação nesta segunda-feira, 27, com um novo aceno do presidente Jair Bolsonaro, de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, fica no governo, após temores de que ele poderia deixar o governo. Em resposta, a B3 fechou com alta de 3,86%, aos 78.238,60 pontos. Já o dólar teve picos de alta, mas terminou o dia estável, com uma queda de 0,03%, sendo negociado a R$ 5,65.

O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, já começou o dia em alta de 3%, no patamar dos 77 mil pontos. Impactado pelo fim do negócio entre Boeing e Embraer, o índice cedeu por volta das 10h30, aos 76.266,71 pontos. No entanto, a queda foi momentânea e a Bolsa rapidamente recuperou o movimento de alta. Na máxima do dia, às 16h16, a B3 subia aos 78.51,76 pontos.

Os ganhos desta segunda são uma resposta às declarações dadas pelo ministro da Economia, Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitasna saída de uma reunião no Palácio da Alvorada. Na ocasião, o presidente afirmou que e "o homem que decide economia no Brasil é um só e se chama Paulo Guedes". A demonstração de apoio ao ministro alivia os temores de que Guedes poderia deixar o governo.

Também ao lado de Bolsonaro, Guedes sugeriu aos servidores que não peçam aumento por um ano e meio. Segundo ele, a política econômica segue a mesma, com a agenda de reformas estruturais, e que o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, integra ações de todos os ministérios.

Nesse cenário, o dólar seguiu em ritmo de alta nesta segunda, chegando novamente ao patamar de R$ 5,70, uma alta de 0,70%. Pela manhã, em sintonia com o bom humor dos mercados asiáticos e europeus - e também com o aceno positivo vindo do Palácio do Planalto, a moeda chegou a apresentar queda, mas logo tornou a subir: às 16h04, ela era negociada a R$ 5,71 - foi apenas no final da tarde que o valor recuou para a casa de R$ 5,65.

Vale lembrar que na última sexta, 24, o mercado brasileiro se desvalorizou em mais de 5%, após a saída do ministro da Justiça, Sérgio Moro, do governo. Neste mesmo dia, o dólar bateu novo recorde nominal, quando não se considera a inflação, ao ser negociado a R$ 5,74. Nesse cenário, a moeda já tem valorização de 8,94% em abril e de 41,12% em 2020.

Contexto local

As previsões seguem negativas para a economia do Brasil em 2020. Divulgado na manhã desta segunda pelo Banco Centralo relatório Focus traz mais uma queda na projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano: a estimativa passou de recuo de 2,96% para retração de 3,34%. Já a projeção para o dólar foi mantida em R$ 4,80.

No entanto, algumas notícias ajudam a trazer algum alívio para o mercado. Segundo operadores consultados pelo Estadão/Broadcast, o risco de impeachment de Jair Bolsonaro diminui com a possibilidade de os pedidos continuarem sendo engavetados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), diante da aproximação do presidente com o chamado 'Centrão'.

Também salta aos olhos dos investidores, a informação levantada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban)de que os cinco maiores bancos do País já liberaram R$ 266 bilhões em crédito novo para pessoas físicas e jurídicas no primeiro mês das medidas de isolamento social. A notícia vem em boa hora, pois o número de casos do novo coronavírus no Brasil está em 61.888, enquanto o número de mortes está em 4.543.

No entanto, ainda deve seguir como preocupação do mercado, o impasse em torno da Embraer - que terminou o dia com queda de 7,49% no Ibovespa. Nesta segunda, Bolsonaro já avisou que pretende negociar a venda da companhia aérea com outra empresa, cujo nome ainda não foi informado. De qualquer forma, os analistas já trabalham com um cenário difícil para a empresa, com dificuldade nas vendas e nos negócios.

Cenário internacional

A Europa teve um dia de notícias positivas nesta segunda. França, Itália e Espanha já estão se preparando para relaxar as medidas de quarentena, enquanto que no Reino Unido, o primeiro ministro Boris Johnson retomou os trabalhados pela primeira vez, após a internação causada pelo novo coronavírus.

Situação similar é vista nos Estados Unidos. Em alguns estados, como Georgia, Alaska e Oklahoma, a reabertura de alguns estabelecimentos já foi autorizada. Em Nova York, onde o número de mortes diárias ficou abaixo de 400 no final de semana - nesse cenário, o governador Andrew Cuomo revelou que alguns condados poderão retomar algumas atividades em 15 de maio. Notícias que, evidentemente, agradam o mercado.

No continente asiático, o dia começou com incentivos do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). Nesta segunda, o órgão anunciou que vai quase triplicar as dívidas corporativas em seu balanço para 20 trilhões de ienes (US$ 186 bilhões), para facilitar o financiamento para companhias afetadas pelo coronavírus, e projetou uma contração acentuada da economia neste ano fiscal.

Petróleo

Passando por um período de idas e vindas, a commodity tornou a fechar em forte queda nesta segunda. Continuam pesando sobre o ativo, a expectativa de queda ainda maior na demanda, em consequência do novo coronavírus. Nesse cenário, a expectativa fica em torno do acordo firmado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) no dia 12 de abril, que entra em vigor na próxima sexta-feira, 1.

O petróleo WTI para junho, referência no mercado americano, despencou 24,56%, a US$ 12,78 o barril. Já o Brent para julho, referência no mercado europeu, encerrou em baixa de 7,01%, a US$ 23,07 o barril.

Bolsas do exterior

As notícias positivas desta segunda contagiaram as Bolsas de Nova York. O índice Dow Jones encerrou em alta de 1,51%, o S&P 500 avançou 1,47% e o Nasdaq subiu 1,11%. Nos EUA, as ações da Boeing terminaram em baixa de 0,23%, impacto leve após a quebra do acordo com a brasileira Embraer.

As Bolsas da Ásia terminaram o dia com alta generalizada. Na China, a Bolsa de Xangai fechou em alta de 0,25% e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 0,06%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou ganho de 1,88%. Na Coreia do Sul, o índice Kospi avançou 1,79% em Seul, enquanto em Taiwan, o índice Taiex subiu 2,13%. Já na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 fechou em alta de 1,50%.

O bom humor também foi sentido nas Bolsas da Europa. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou o dia com ganho de 1,77%, enquanto o índice CAC 40, da Bolsa de Paris, encerrou o dia em alta de 2,55%. O índice FTSE MIB, de Milão, subiu 3,09%, já o índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em alta de 1,64%. A Alemanha também acompanhou o mesmo ritmo e o índice Dax, de Frankfurt, encerrou o pregão com o maior ganho do continente, de 3,13%. O índice Ibex 35, da Bolsa de Madri, avançou 1,78%, enquanto o PSI 20, de Londres, fechou com ganho de 0,59%./ SILVANA ROCHA, EDUARDO GAYER, GABRIEL BUENO DA COSTA, ANDRÉ MARINHO, LUÍSA LAVAL E MAIARA SANTIAGO.

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