Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Dólar recua para R$ 3,20 com atuação do BC e exterior

No mercado de ações, a Bovespa subiu 0,82% com a entrada de investidores estrangeiros

Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2017 | 19h37

O dólar operou em baixa desde a abertura diante da retomada dos leilões de swap cambial pelo Banco Central. A direção do câmbio doméstico também foi determinada pela fraqueza da moeda no exterior. O dólar encerrou aos R$ 3,2093, em queda de 1,01%, já afastado da mínima de R$ 3,1977 (-1,37%). Na máxima, a moeda chegou aos R$ 3,2206 (-0,66%), enquanto o volume de negócios somou US$ 1,423 bilhão.

A redução das perdas ao longo da sessão foi decorrente de realização de lucros em contratos vendidos. Alguns investidores também anteciparam as compras da divisa norte-americana, assumindo posições mais cautelosas, antes do início do governo de Donald Trump na sexta-feira, de acordo com especialistas consultados pelo Broadcast.

O Banco Central retomou hoje os leilões de swap cambial, dando início ao processo de rolagem dos 128.620 contratos que vencem em fevereiro (US$ 6,431 bilhões). Sem atuar com swap desde 12 de dezembro, a instituição vendeu o lote integral de 12.000 contratos (US$ 600 milhões), numa operação que tem efeito correspondente à venda de dólares no mercado futuro. 

No exterior, Donald Trump voltou a alimentar incertezas sobre seu governo, faltando poucos dias para assumir a Casa Branca. O republicano criticou o nível "muito forte" da moeda dos Estados Unidos e o efeito prejudicial disso para as empresas locais no comércio exterior. O impacto foi de recuo do dólar pelo mundo, assim como queda dos juros dos Treasuries e bolsas de Nova York.

Trump também mostrou descontentamento com a proposta de congressistas de seu partido para elevar tarifas de importação e isentar exportações, afirmando que era muito complicada. Tal medida, conhecida como "ajuste de fronteira", poderia resultar numa alta "automática" de 20% a 25% da moeda norte-americana, notam economistas do banco BBH em relatório a clientes.

Além do fator Trump, o recuo do dólar foi intensificado pelo tão esperado discurso da primeira-ministra britânica, Teresa May. Em tom mais ameno que o alertado, a premiê ressaltou que a separação com a União Europeia será concretizada, mas apontou que o Reino Unido continuará "um parceiro confiável, aliado disposto e amigo próximo" de Estados do bloco. Ela acrescentou que os termos do processo conhecido com Brexit também serão avaliados por ambas as casas do Parlamento. 

Bolsa. A Bovespa fechou em alta de 0,82% nesta terça-feira e atingiu 64.354,33 pontos, maior patamar desde 31 de outubro. Os ganhos do dia foram determinados pela expressiva valorização das ações dos bancos - grupo de maior peso na composição do Índice Bovespa. Ao longo do dia, o rali dos bancos acabou por contagiar outros papéis, levando a Bolsa a renovar sucessivas máximas até a última hora de negócios.

O preceito de que "contra fluxo não há argumento" voltou a ser usado hoje nas mesas de operações para justificar o bom desempenho da Bovespa, que minimizou as quedas das bolsas norte-americanas ou qualquer cautela com o cenário doméstico. O argumento concreto está nas parciais do saldo de investimentos estrangeiros que a Bovespa divulga diariamente. Em janeiro, até a última sexta-feira (13), os "gringos" haviam trazido R$ 2,4 bilhões à Bolsa brasileira, uma cifra considerada excepcional, principalmente para um mês tradicionalmente mais fraco. 

Boa parte dos analistas atribuiu a alta dos papéis de bancos à ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). "Houve a leitura de que a ata sinalizou que poderá haver novo corte de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic na reunião do Copom em fevereiro", disse Roberto Indech, analista da Rico Corretora. Os destaques no segmento financeiro ficaram por conta de Itaú Unibanco PN (+2,69%), Bradesco PN (+2,86%) e Santander Brasil Unit (+2,27%). 

Depois de cinco altas consecutivas, as ações da Vale passaram por um ajuste significativo, que também foi absorvido pelo comportamento comprador dos investidores. Vale ON e PNA recuaram 3,93% e 1,96% respectivamente, acompanhando suas pares no exterior, que cederam terreno após a desvalorização do minério de ferro no mercado à vista chinês.

As ações da Petrobrás, por sua vez, foram influência positiva ao longo do dia, mas trouxeram alguma instabilidade no final dos negócios. Petrobrás PN teve alta de 0,44%, enquanto Petrobrás ON inverteu o sinal nos últimos minutos e caiu 0,44%. O volume de negócios totalizou R$ 7,07 bilhões. Com a alta de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar ganho de 6,85% em janeiro e de 66,86% em 12 meses.

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