Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Posse de novo presidente do BC ampara 3ª alta seguida do dólar

Moeda subiu 1,66%, para R$ 3,48; percepção é de que Ilan Goldfajn, novo dirigente da instituição, tende a deixar o mercado de câmbio mais 'solto'

Lucas Hirata, Silvana Rocha, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2016 | 15h11

O dólar terminou em alta pela terceira sessão consecutiva ante o real, mas se manteve abaixo do patamar de R$ 3,50 no mercado à vista. O movimento foi sustentado por uma contínuo ajuste de posições compradas, que tem sido observado desde a última quinta-feira, após seis baixas acumuladas em 6,71% nas primeiras sessões deste mês. O dólar terminou cotado a R$ 3,4823 (+1,66%) no balcão, com giro de apenas R$ 553,6 milhões. 

 

Durante a tarde, o foco do mercado foi o discurso do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. A percepção é de que o dirigente tende a deixar o mercado mais solto para ajudar no controle da inflação. Porém, se o dólar tiver um movimento de baixa forte, a autoridade poderá fazer leilão de swap reverso para conter o ajuste, segundo sinalizou o Ilan, disse o operador José Carlos Amado, da Spinelli Corretora. 

Os comentários de Ilan ajudaram a amparar a alta do dólar, que foi vista desde o início do pregão. Os principais catalisadores foram a persistente queda do petróleo que apoiou a valorização do dólar em relação a grande parte das divisas emergentes e ligadas a commodities. Também ampararam o dólar os temores sobre uma eventual saída britânica da União Europeia, processo batizado de "Brexit". Ainda no cenário internacional, há especulações sobre estímulos na China e expectativas pela carregada agenda semanal. 

O comitê de política monetária do Federal Reserve anuncia decisão de política monetária na quarta-feira, que será acompanhada de entrevista da presidente Janet Yellen. Além disso, estão previstos encontros de política monetária na Inglaterra e Japão, ambos na quinta-feira. 

A ausência do Banco Central no câmbio interno há 18 dias (o último ocorreu em 18 de maio) favoreceu o viés positivo, disseram operadores ao Broadcast.

Bolsa. A Bovespa alternou altas e baixas e acabou por fechar em alta de 0,48% nesta segunda-feira, com 49.660,78 pontos e R$ 4,51 bilhões em negócios. A expectativa por importantes definições do cenário internacional retraiu o investidor da renda variável, motivando o fôlego reduzido da Bolsa. 

Os preços das commodities recuaram e o dólar ganhou forças. Em um dia de intensa instabilidade, o petróleo terminou o dia em baixa de 0,39% na Nymex (US$ 48,88 o barril para julho) e de 0,37% na Ice (US$ 50,35 o barril para agosto). Com isso, Petrobras ON e PN fecharam em baixa de 1,90% e 1,82%, exercendo pressão de baixa sobre o Ibovespa. Além da queda do petróleo, profissionais do mercado apontaram uma reunião da estatal com analistas, cujo teor não trouxe novidades na empresa, agora sob gestão de Pedro Parente, em relação ao seu antecessor, Aldemir Bendine.

As ações da Vale ficaram na contramão e fecharam em alta, apesar de o minério de ferro ter caído 0,6% no mercado chinês. Vale ON subiu 1,67%, enquanto Vale PNA avançou 1,76%. O setor bancário também se destacou, com as ações recuperando parte das perdas da semana passada. Bradesco PN fechou em alta de 1,66%. 

O noticiário corporativo teve duas notícias importantes. Uma delas foi a notícia, divulgada no domingo, da assinatura de contrato pelo qual a Ultrapar Participações vai adquirir 100%  da Alesat Combustíveis S.A., dona da rede de postos de combustíveis Ale. A notícia foi bem recebida por indicar que empresas voltam a enxergar oportunidades. Como resultado, Ultrapar ON fechou em alta de 4,91%, liderando os ganhos do Ibovespa. Já o destaque negativo ficou por conta de Oi ON, que fechou em queda de 6,74%, depois de ter caído mais de 10% ao longo do dia. A ação respondeu negativamente à notícia da renúncia de Bayard Gontijo da presidência da companhia.

Mais conteúdo sobre:
Dólar Bolsa

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.