Dólar renova mínima em R$ 1,80 e se desvaloriza 22,9% no ano

Volta do investidor estrangeiro à Bovespa e a retomada das captações externas eleva procura pelo real

Taís Fuoco, Agência Estado

16 de setembro de 2009 | 17h21

O dólar encarou o terceiro dia consecutivo de queda ante o real nesta quarta-feira - no mês, só fechou em alta em três dos 16 dias -, mas tudo apontava para um recuo ainda maior da moeda americana no mercado doméstico de câmbio. O dólar manteve o piso e fechou em R$ 1,80 no balcão, um recuo de 0,33%. A última vez em que o dólar à vista fechou abaixo de R$ 1,80 foi em 22 de setembro do ano passado (R$ 1,7930). Neste ano, a divisa já acumula perdas de 22,91% ante o real.

 

"Em um dia como hoje, era para a moeda estar caindo muito mais. A questão é saber quem vai peitar essa cotação", ponderou Gabriel Aguilera, operador de câmbio da Flow Corretora. As bolsas operaram em alta no Brasil, Europa e Estados Unidos e as commodities também tiveram ganhos, o que favorece a queda da moeda americana.

 

Além disso, no mercado de moedas, a produção industrial dos EUA levou o dólar à menor cotação em relação ao euro em quase um ano. O euro ultrapassou a marca do US$ 1,4720, maior nível técnico desde 18 de dezembro. A produção industrial dos EUA cresceu 0,8% em agosto, acima da previsão dos analistas, que era de aumento de 0,6%. Esse foi mais um indicador que garantiu o bom humor dos investidores e o apetite ao risco.

 

O dólar já é considerado hoje como a divisa de menor rentabilidade em todo o mundo. A situação faz com que o custo de tomar empréstimo em dólares para três meses no mercado interbancário de Londres esteja em recorde de baixa, movimento que está acentuando o papel do dólar como moeda de financiamento para compra de moedas de maior rendimento, um status que durante muito tempo foi do iene.

 

Outro fator que corrobora para a apreciação do real é a volta do investidor estrangeiro à Bovespa e a retomada das captações externas, ainda que esses dólares não estejam chegando com força ao País. Depois dos anúncios recentes de Vale, CSN e Banco Cruzeiro do Sul, hoje foi a vez do Bradesco trazer ao noticiário mais uma captação.

 

Há quem acredite, entretanto, que o dólar vai encontrar resistência para perder ainda mais valor ante o real porque o Banco Central pode se tornar mais agressivo nas compras diárias no mercado à vista.

O BC divulgou hoje que as compras diárias de dólares aumentaram as reservas internacionais em US$ 636 milhões em setembro, conforme levantamento feito até o dia 11.

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