Dólar rompe o patamar de R$ 2,30 e fecha em baixa de 1,37%

O dólar comercial encerrou o dia em queda de 1,37% em relação aos últimos negócios de ontem, cotado a R$ 2,2960 na ponta de venda das operações. Trata-se do patamar mais baixo de fechamento desde o dia 10 de agosto, quando a moeda norte-americana encerrou o dia em R$ 2,2790. Durante esta quinta-feira, a moeda norte-americana oscilou entre a máxima de R$ 2,3220 e a mínima de R$ 2,2940. Com o resultado de hoje, o dólar acumula baixa de 13,49%.A forte queda do risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - criou logo cedo a convicção de que a trajetória do dólar no mercado doméstico esta quinta-feira seria de desvalorização.Um dos motivos para a redução acentuada do risco Brasil durante a manhã era o rumor de que a emissão de títulos da dívida brasileira no exterior estava pronta para acontecer. O Tesouro Nacional confirmou essas perspectivas pouco depois das 10 horas (horário de Brasília) ao anunciar que concedeu ao JP Morgan e ao Goldman Sachs mandado para atuarem com agentes para possível emissão de títulos denominados em reais no mercado internacional.Segundo fontes consultadas pela repórter Adriana Fernandes, o comunicado divulgado pelo Tesouro é mais uma etapa da preparação do mercado para esta colocação que é inédita para o Brasil. No mercado financeiro, comenta-se que a emissão deve ser equivalente a US$ 500 milhões. Ou seja, os investidores já trabalham com uma perspectiva de entrada de dólares no País, o que reduz a demanda por moeda norte-americana. O resultado é a depreciação do dólar frente ao real.Efeitos da operaçãoApesar de a colocação ser em reais, o Governo receberá os recursos captados em moeda estrangeira e, na data do vencimento, pagará os títulos também em moeda estrangeira, mas de acordo com a taxa de câmbio do dia. O objetivo do governo com o lançamento de títulos em reais é melhorar o perfil de sua dívida, reduzindo ainda mais a porcentagem que é corrigida em dólares, e diminuir a exposição ao risco por desvalorização cambial.O risco devido a uma possível desvalorização do real frente ao dólar passa a ser dos investidores estrangeiros, que receberiam menos em dólares quando os títulos vencerem. Este ano, no entanto, o real subiu cerca de 30% em relação ao dólar, e hoje a cotação caiu em alguns momentos abaixo dos R$ 2,30 por dólar, a menor em vários meses.Cenário políticoO mercado de câmbio computou ainda o que pode ser o fim do maior fantasma da crise política. O deputado Roberto Jefferson foi cassado ontem sem conseguir recolocar o centro da crise política dentro do Palácio do Planalto. Enquanto isso, hoje, na ONU, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fez mais um discurso para agradar aos agentes econômicos do Brasil e do exterior.Sucesso nas captações anterioresNos últimos meses, o governo fez bem-sucedidas emissões de dívida externa para captar os US$ 6 bilhões que precisa para atender suas obrigações financeiras neste ano e em parte do próximo, mas todas com títulos, principalmente, em dólares, além de algumas em euros e ienes.O Tesouro Nacional recebeu do Conselho Monetário Nacional (CMN) a autorização para fazer emissões em reais no final do ano passado. Desde então, algumas empresas colocaram títulos no exterior em moeda nacional.A primeira captação aconteceu em novembro de 2004 pelo banco Votorantim, que captou na época R$ 50 milhões com papéis a 18 meses, e taxa de juros de 18,3% anual. Um mês depois, o Banco do Brasil captou R$ 200 milhões com papéis a três anos, e taxa de juros de 17,25% anual. Os bancos Bradesco, Unibanco e ABN Amro Bank também fizeram emissões semelhantes.Em seu último lançamento no mercado internacional, há apenas nove dias, o Governo captou US$ 1 bilhão com uma oferta do título Global 2025, para vinte anos e com juros de 8,75% ao ano, na primeira emissão para captar os US$ 9 bilhões que o país precisará para atender suas obrigações financeiras em 2006 e 2007.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.