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Dólar salta 2,67% e tem maior fechamento em mais de 3 anos

Moeda norte-americana acompanha deterioração na Bovespa, que cai mais de 5%, e fecha cotada a R$ 2,464

Reuters e Agência Estado,

21 de novembro de 2008 | 16h44

O dólar subiu pela quinta sessão consecutiva e fechou a sexta-feira no maior patamar em mais de três anos, acompanhando a deterioração do principal índice acionário do País. A moeda norte-americana avançou 2,67%, a R$ 2,464, maior fechamento desde 10 de junho de 2005. Na semana, a divisa acumulou valorização de 8,4%. Veja também:BB e governo de SP fecham acordo sobre venda da Nossa CaixaAção da Nossa Caixa sobe mais de 80% com interesse do BBGoverno age por vaidade, diz associação de minoritários do BBDe olho nos sintomas da crise econômica  Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  No mercado de ações, a Bolsa de Valores de São Paulo despencava 5,49% às 16h35, aos 31.572 pontos, contaminada pela queda de mais de 10% das ações ordinárias da Petrobras e de 9% dos papéis preferenciais da estatal. Uma boa parte desse tombo reflete também o ajuste do mercado doméstico a mais um daqueles dias de pânico em Nova York, arrastando para baixo os preços dos ADRs brasileiros. Na quinta-feira, Petrobras ON desmoronou 16,35% em Nova York.  A desvalorização constante do preço do petróleo, que volta a ser negociado hoje abaixo de US$ 50 o barril, é mais um fator de pressão para a Bolsa. Com isso, os investidores fizeram pouco caso do anúncio da Petrobras de dois novos poços de óleo leve no litoral capixaba, com reservas estimadas entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de barris, na área denominada Parque das Baleias. O óleo é de ótima qualidade, com 30 graus API, segundo fato relevante.  Essas descobertas de Petrobras têm sido vistas pelo seu lado negativo: o do custo elevado da extração do óleo. Devido às condições ruins do mercado de crédito e à queda persistente do petróleo fica difícil para a Petrobras levantar recursos para iniciar os investimentos na exploração da camada pré-sal.  Nova York A deterioração do mercado acionário aqui no início da tarde coincidiu com um momento de fraqueza dos índices norte-americanos. O Dow Jones, que na quinta desabou 5,56%, aos 7.552 pontos, o nível mais baixo registrado desde 2003, chegou a pisar por um breve instante o terreno negativo, mas conseguiu retomar o fôlego e, por volta das 16h30, subia 0,36%. O S&P 500, que na véspera caiu 6,71%, atingindo o menor patamar em uma década, registrava valorização de 0,33%, enquanto o Nasdaq subia 0,03%. A recuperação técnica em Wall Street é escorada por especulações de que o Citigroup poderá vender unidades ou todo o grupo, embora as ações do banco tenham revertido o sinal de alta no começo da tarde e registrassem queda de 15%. O conselho de diretores do Citigroup deve realizar um encontro formal hoje para discutir as opções. Ontem, as ações do Citi caíram mais 26%, o pior desempenho porcentual em um único dia de sua história, com investidores temendo o efeito da crise econômica no setor financeiro.  Também contribui para o sinal positivo em Wall Street o balanço da Dell Computer, divulgado ontem após o pregão, melhor do que o esperado. Mas trata-se de uma alta sem consistência, uma vez que o temor de uma desaceleração global severa e longa persiste. Na Europa, as bolsas voltaram a naufragar, arrastando perdas de mais de 2% no início da trade.  BancosAlém de Petrobras, chamam atenção o desempenho ruim do setor bancário, com exceção de Nossa Caixa ON, que disparavam 23,04% às 16h30, cotadas a R$ 63,12, liderando o ranking positivo do Ibovespa. Na quinta-feira, o Banco do Brasil fechou a compra da Nossa Caixa pagando pelo controle da instituição R$ 5,386 bilhões em 18 parcelas de R$ 299,5 milhões. Considerando-se o valor atribuído ao papel pelo BB, o custo total da aquisição saiu por R$ 7,56 bilhões. Como o banco paulista vai dar tag along de 100% para suas ações, é natural que o preços se ajustem ao preço que será pago pelo BB, R$ 70,63 pela ação ON da Nossa Caixa, o que equivale a um prêmio de 37,7% em relação ao fechamento de quarta-feira, de R$ 51,30. Já as ordinárias do BB eram negociados em baixa de 12,38%, aos R$ 11,67, influenciadas pelo preço pago pela Nossa Caixa, considerado alto pelo mercado, e o fato de a negociação ter sido feita na forma de aquisição, não de troca de controle. "A operação é excelente para o BB, mas durante um ano e meio sairão R$ 300 milhões por mês do seu caixa", destacou o analista do setor bancário da corretora Planner, Ricardo Martins. "Passados os ajustes, os papéis do BB ficam interessantes pelo porte que a instituição adquire, além da expectativa de aquisição de outros bancos", afirma Martins.  De acordo com o presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco Lima Neto, a instituição vai tentar recuperar a liderança no mercado brasileiro, perdida após a fusão entre Itaú e Unibanco. Os ativos totais dos dois bancos somam R$ 512,4 bilhões. Entre os bancos privados, Bradesco amargava queda de 10,30%; Itaú PN perdia 6,91% e Unibanco Units cedia 7,13%. No topo das maiores baixas estava Sabesp On, derretendo 19,59%.

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