Dólar salta 5,32% com cenário global e derivativos

O dólar fechou em forte alta nesta terça-feira, apesar das intervenções do Banco Central, acompanhando o cenário externo de valorização da moeda norte-americana em meio ao mau humor dos principais mercados acionários e as preocupações com derivativos cambiais no Brasil. A moeda norte-americana saltou 5,32 por cento, para 2,238 reais. Segundo Luis Piason, gerente de operações de câmbio da corretora Concórdia, o mercado cambial nacional está seguindo os movimentos do dólar em todo mundo. "Hoje a alta está exacerbada, mas está seguindo as moedas lá fora", disse ele, ressaltando que apesar dos EUA estarem no núcleo da crise, os investidores estão procurando os treasuries do governo, o que gera demanda por dólares. "E ainda tem uma pressão de saída", acrescentou, sobre o mercado local. O principal índice da Bovespa operou grande parte do dia em queda de mais de 1 por cento, acompanhando o pessimismo das bolsas de valores norte-americanas, virando para o positivo apenas nos momentos finais da sessão. O Banco Central realizou nesta terça-feira dois leilões de venda de dólares no mercado à vista, além de um leilão de swap cambial. Apesar das intervenções da autoridade monetária, a cotação do dólar não respondeu e manteve a forte valorização. Para Piason, o BC precisa atuar de forma mais incisiva, com mais volume. "Até agora ele está enxugando gelo". Segundo Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio, as atuações do Banco Central no mercado cambial não estão afetando o dólar "pois a taxa (da moeda norte-americana) está sendo puxada artificialmente por especulação". Nehme explica que os bancos autorizados a participar das medidas do BC não possuem interesse de fornecer linhas para os exportadores, gerando um empoçamento da liquidez. "Os bancos estão retraídos com o setor exportador, pois existe uma nuvem cinzenta sobre ele", disse Nehme, lembrando que diversos exportadores divulgaram problemas com seus posicionamentos nos mercados futuros de dólar. Nas últimas semanas, Sadia, Aracruz e o Grupo Votorantim anunciaram grandes perdas com apostas na manutenção do dólar em patamares baixos. O diretor da NGO adverte ainda que o cenário só estará mais claro à medida em que os contratos na Bolsa de Mercadorias & Futuros expirarem. "Esse mercado de câmbio futuro está prejudicando a inflação, está prejudicando empresas que têm passivos em dólar, fomentando a contração do crédito". Na véspera, um ministro afirmou à Reuters que o Palácio do Planalto quer que o Banco Central exerça maior fiscalização sobre as operações de derivativos cambiais.

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