GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
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Bolsa tem pior semana desde grampo de Temer

Volatilidade global também fez o dólar atingir o maior valor deste ano ante o real, com alta de 0,48%, a R$ 3,2954

O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2018 | 18h29

Em meio a um forte período de incerteza nos mercados globais, a Bolsa de Valores caiu 0,78% nesta sexta-feira, 9, e acumulou queda de 3,74% na semana. O Ibovespa – principal índice de referência da B3 – teve o pior desempenho semanal desde 19 de maio do ano passado, quando recuou 8,18% depois de o presidente Michel Temer ser flagrado em conversas telefônicas com executivos da JBS.

A volatilidade global também fez o dólar atingir o maior valor deste ano ante o real na sexta-feira. O dólar à vista fechou com alta de 0,48%, a R$ 3,2954. É o maior nível desde 28 de dezembro, último pregão de 2017, quando a moeda norte-americana terminou cotada a R$ 3,3155.

“É um período de reavaliação e de ativos. O mercado estava excessivamente otimista até janeiro, com recorrentes recordes na Bolsa. É natural que se busque uma correção”, disse o economista da consultoria Tendências Silvio Campos Neto.

Ao longo de todo o pregão de sexta-feira, a Bolsa e o dólar registraram bastante volatilidade. Na mínima da sessão, o Ibovespa recuou 2,26% e, na máxima, avançou 0,45%. O dólar foi cotado a R$ 3,2687 (-0,33%) na mínima e chegou a R$ 3,3188 (+1,20%) na máxima.

A sessão também foi marcada por perdas nos mercados europeus e asiáticos. A Bolsa de Londres registrou queda diária de 1,09% e semanal de 4,72%. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 2,32% ontem, acumulando queda de 8,13% na semana, a maior em dois anos.

Nos Estados Unidos, os mercados acionários subiram, mas acumularam forte queda semanal: o S&P 500 recuou 5,16%, o Dow Jones perdeu 5,21% e o Nasdaq registrou queda de 5,06%.

“Não é possível falar que a correção parou, mas precisamos de um impulso para virar”, afirmou Ariovaldo dos Santos, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor.

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O nervosismo que atingiu os mercados globais tem como pano de fundo a expectativa de que as principais economias do mundo comecem a subir as taxas de juros, o que deve enxugar a liquidez global e tornará as economias emergentes menos atraentes para os investidores.

Nos Estados Unidos, por exemplo, não apenas o aumento dos juros, mas a possibilidade de que eles subam mais do que o esperado este ano também é um grande motivo de preocupação.

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A crise orçamentária dos EUA foi outro fator que contribuiu para aumentar o sentimento de incerteza nos mercados.

Após uma paralisação de menos de seis horas do governo, a administração de Donald Trump conseguiu aprovar no Congresso um acordo orçamentário de dois anos e um projeto que estende o teto da dívida até 23 de março. Até essa data, legisladores e técnicos da Casa Branca terão de se debruçar para acertar os detalhes da destinação dos recursos para os órgãos federais e resolver o impasse em torno da questão imigratória.

Especificamente em relação ao Brasil, os investidores também monitoram a capacidade de a equipe econômica conseguir aprovar a reforma da Previdência, considerada fundamental para o acerto das contas públicas do País, apesar de o mercado já precificar a não aprovação da proposta neste ano.

Na avaliação de Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso, diante do forte aumento da volatilidade e do tombo nos mercados acionários nesta semana, os investidores continuaram em busca por segurança. “No caso do Brasil, ninguém vai querer ficar exposto ao risco durante tantos dias durante o carnaval”, disse.

Futuro do mercado. Mesmo com a forte turbulência global nesta semana, os analistas do mercado financeiro mantiveram o otimismo em relação ao desempenho do Ibovespa na próxima semana.

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Em um levantamento com 31 participantes, 51,61% disseram que a percepção é de alta, praticamente estável em relação à sondagem anterior (51,35%). A fatia dos consultados que esperam queda recuou de 27,03% para 16,13%. Já a parcela dos que aguardam estabilidade aumentou de 21,62% para 32,26%.

“Os sinais são de que o mercado global vai acalmar e teremos recuperação dos preços dos ativos. Este ainda é nosso cenário base”, avaliou em relatório o diretor da Wagner Investimentos, José Raymundo Faria Júnior. /COLABORARAM EULINA OLIVEIRA, MATEUS FAGUNDES, SIMONE CAVALCANTI E LUIZ GUILHERME GERBELLI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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