Dólar salta mais de 6% com pessimismo de mercados globais

Em dia de cenário externo negativo, MP do governo tem efeito ruim no mercado e moeda fecha a R$ 2,380

Da Redação,

22 Outubro 2008 | 16h26

Diante de um cenário externo negativo pelo medo de recessão global, a autorização do governo para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal constituírem subsidiárias e adquirirem participação em instituições financeiras acabou tendo efeito negativo sobre a confiança do investidor no mercado de câmbio. Por isso, os quatro leilões do BC nesta quarta-feira, 22, - dois de swap cambial e dois de venda direta de moeda - não tiveram efeito sobre o dólar, que fechou em alta de 6,44%, cotada a R$ 2,380.   Veja também: Governo autoriza estatização de instituições privadas no País Íntegra da MP no Diário Oficial  Consultor responde a dúvidas sobre crise   Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Como o mundo reage à crise  A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise     "A possibilidade de estatização de instituições financeiras em dificuldades pela Caixa e BB lembra o pacote de socorro aos bancos nos EUA e Europa e isso alimenta rumores sobre dificuldades de bancos e financeiras em honrar compromissos na BM&F, o que contagia negativamente o humor", disse um operador.   Desde o agravamento da crise financeira, no meio de setembro, o Banco Central vem adotando medidas para conter os efeitos da escassez de crédito internacional no País e a dispara do dólar no mercado.   Durante a audiência pública na Câmara na terça-feira, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que a autoridade monetária já injetou US$ 22,9 bilhões no mercado de câmbio para tentar conter a subida do dólar, de 19 de setembro até a última segunda-feira.   Segundo ele, foram US$ 3,2 bilhões no mercado spot e US$ 12,9 bilhões em operações de swap cambial. Além disso, o BC vendeu US$ 1,6 bilhão destinados a financiar os comércio exterior e mais US$ 3,7 bilhões em leilões com compromisso de recompra. O BC também deixou de rolar US$ 1,5 bilhão em swap reverso.   Parte desses recursos vem das reservas internacionais do País, que já diminuíram em pouco mais de R$ 6 bilhões desde o dia 15 de setembro, data da concordata do banco Lehman Brothers e do conseqüente início do pânico nos mercados. Na segunda-feira, 20 de outubro, as reservas estavam em US$ 201,223 bilhões, contra US$ 207,575 bilhões em setembro.   A maior parte desses recursos está em aplicações em dólar, das quais a maioria está em títulos do Tesouro dos Estados Unidos: US$ 152,877 bilhões. Outra parte das reservas em dólares - US$ 24,7 bilhões - está em aplicações "supranacionais" relacionadas a diversos governos.   Desse grupo de aplicações, a maior parte também está no BIS (Banco de Compensações Internacionais) e, em segundo lugar, no Banco de Investimento da Europa. Também há uma parte das reservas em dólar aplicadas em agências governamentais, como a alemã KFW.   As reservas em números   Veja como os recursos estão aplicados: - US$ 187 bilhões das reservas internacionais estão aplicadas em dólar - US$ 16 bilhões estão em euro - US$ 894 milhões estão aplicados em ouro - US$ 107 milhões aplicados em operações de overnight   Das aplicações em dólar: - US$ 152,877 bilhões está em títulos do Tesouro dos Estados Unidos - US$ 24,7 bilhões está em aplicações "supranacionais" relacionadas a diversos governos

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