Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar se fortalece após dados dos EUA e Bolsa fecha em alta de 1,39%

O euro, por sua vez, mostrou fraqueza depois de dados abaixo do esperado na zona do euro

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2019 | 18h10

O dólar avançou ante outras moedas principais em geral nesta quinta-feira, apoiado por indicadores nos Estados Unidos que vieram acima da previsão dos analistas. O euro, por sua vez, mostrou fraqueza depois de dados abaixo do esperado na zona do euro, enquanto entre as divisas emergentes e commodities o peso argentino recuou, um dia após o governo do presidente Mauricio Macri anunciar medidas para tentar controlar a inflação, inclusive o congelamento de preços de alguns produtos básicos até o fim deste ano.

Na bolsa de valores, o aumento do diesel em R$ 0,10 por litro, anunciado ontem à noite pela Petrobrás, conduziu a alta das ações da estatal nesta quinta-feira e impulsionou os ganhos do Ibovespa. Contribuiu para o bom humor no mercado acionário local a informação do Estadão/Broadcast de que, após costurar uma "saída de mercado" para o impasse criado pela intervenção do presidente Jair Bolsonaro, que causou a suspensão do reajuste do diesel na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu à sua equipe que estude possibilidades de mudanças na tributação dos combustíveis. O objetivo seria conter a alta do diesel - os impostos representam 46% do valor do óleo. O risco de uma paralisação dos caminhoneiros continuou a ser monitorado pelos agentes, mas, por enquanto, a categoria se mostra dividida, o que enfraquece qualquer movimento nesse sentido.

Também a reforma da Previdência seguiu no radar dos investidores: a notícia que Bolsonaro estaria disposto a negociar ministérios com partidos do Centrão que fecharem questão a favor da reforma da Previdência ajudou a aumentar o apetite ao risco, mesmo sendo véspera de feriado, quando a cautela costuma se impor. Essa combinação de fatores levou o Ibovespa às máximas e o dólar e os juros futuros às mínimas no meio da tarde. O índice da B3 encerrou a sessão em alta de 1,39%, aos 94.578,26 pontos, acumulando ganho de 1,83% na semana - em grande parte, por causa da recuperação dos papéis da Petrobrás nos últimos dias.

A ação PN da estatal terminou com valorização de 3,18% e a ON, de 1,92%. O dólar firmou-se no terreno negativo na etapa vespertina, apesar do fortalecimento da moeda americana no exterior, também motivado por uma realização de lucros recentes. A divisa terminou em baixa de 0,14%, a R$ 3,9300, mas avançou 1,07% no acumulado da semana. Nos juros futuros, a queda nesta quinta-feira foi mais acentuada no chamado miolo da curva. Nos EUA, as Bolsas encerraram em alta moderada, em meio a dados positivos sobre as vendas do comércio varejista, que geraram diversas revisões para cima do PIB americano no primeiro trimestre e motivaram a alta do dólar frente à maior parte das divisas fortes e emergentes.

Moedas estrangeiras

No fim da tarde em Nova York, o dólar recuava a 111,93 ienes, o euro caía a US$ 1,1231 e a libra tinha queda a US$ 1,2989. Na Europa, os índices de gerentes de compras da zona do euro e da indústria da Alemanha ficaram abaixo do esperado por analistas nas prévias de abril. O enfraquecimento da moeda comum acabou por apoiar o dólar e também o iene.

Além disso, no caso da divisa americana houve sinais positivos da economia dos EUA. As vendas no varejo no país cresceram 1,6% em março ante fevereiro, acima da previsão de alta de 1,0% dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal, enquanto os pedidos de auxílio-desemprego recuaram a 192 mil na semana, na mínima desde setembro de 1969 e contrariando a previsão de alta. Após os indicadores, alguns agentes passaram a prever crescimento maior do Produto Interno Bruto (PIB) americano no primeiro trimestre. O RBS, por exemplo, elevou sua projeção de 1,2% para 1,9%.

Na Argentina, o dia foi de feriado com mercados locais fechados. No pregão eletrônico, o peso recuou, um dia após as medidas de Macri para tentar controlar a inflação, que incluíram congelamento de preços de 60 produtos básicos no ano atual. O risco-país da Argentina, medido pelos Credit Default Swaps (CDS), atingiu a máxima desde 2016, enquanto os ativos argentinos negociados em Nova York tiveram queda expressiva, com a leitura de que Macri teria "voltado às políticas da era Cristina Kirchner em uma tentativa de salvar suas perspectivas eleitorais", nas palavras da Eurasia. A consultoria ressalta que as medidas vão contra o aperto monetário em andamento e têm eficácia incerta. Em um quadro de recessão e preços em alta, Macri pretende tentar a reeleição no fim deste ano.

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