Renato S. Cerqueira/Futura Press
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Com ofensiva de Bolsonaro por Previdência, Bolsa sobe 1,93% e dólar recua

Encontro de Jair Bolsonaro com presidentes e líderes de partidos conseguiu reverter o mau humor que dominou os mercados após a presença de Paulo Guedes na CCJ

Antonio Perez e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 10h49
Atualizado 04 de abril de 2019 | 17h54

Em meio a manifestações de líderes políticos a favor da reforma da Previdência, A Bolsa de Valores fechou o dia em alta expressiva, de 1,93%, aos 96.313 pontos, enquanto o dólar perdeu ainda mais força, recuando para R$ 3,8571.

Segundo operadores, a ofensiva do governo pela reforma da Previdência nesta quinta-feira, 4, marcada por encontro do presidente Jair Bolsonaro com presidentes e líderes de partidos, conseguiu reverter o mal-estar causado pelo embate entre o economia, Paulo Guedes, e deputados da oposição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta quarta-feira, 4.

"Depois de pesar a mão na quarta-feira, hoje o mercado fez uma releitura do cenário, considerando que talvez a necessidade fiscal vá se impor sobre as disputas políticas. Esses embates são naturais nas democracias e fazem parte do jogo", disse Nicolas Takeo, analista da Socopa Corretora.

Takeo ressalta como fatores importantes do dia as declarações políticas mais favoráveis à reforma, em especial as do presidente do DEM, ACM Neto, que teve almoço com o presidente Jair Bolsonaro. Em um discurso aparentemente alinhado à pauta do governo, ele admitiu que o partido poderá fechar questão em favor da reforma. No entanto, condicionou essa decisão à passagem da PEC pelas comissões especiais, para avaliar o teor da proposta que irá ao plenário.

Bolsonaro usou o Twitter para celebrar as conversas com lideres partidários sobre a reforma. Segundo o presidente, "tudo ocorreu em alto nível" e não houve conversas sobre cargos. "Executivo e Legislativo unidos, por uma causa que representa o futuro de nossos filhos e netos: a Nova Previdência", escreveu Bolsonaro.

A perspectiva de que o DEM possa fechar questão em torno da reforma, expressa pelo presidente do Partido, Antonio Carlos Magalhães Neto, animou os investidores. No início da tarde, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou que uma nova campanha oficial pró-reforma será lançada pelo governo em 10 dias. Marinho reafirmou que o governo não vai "retirar nada do projeto" original enviado ao Congresso.

A alta da Bolsa foi puxada principalmente pelas ações da Petrobrás e do setor financeiro. Nos dois casos, analistas relacionaram os ganhos à influência política, uma vez que esses papéis são mais sensíveis aos movimentos políticos. No caso da petroleira, segue também forte a expectativa pelo anúncio da conclusão das negociações em torno da cessão onerosa. Assim, Petrobras ON e PN terminaram o dia com ganhos de 3,29% e 3,38%, nesta ordem. Entre os bancos, destaque para Bradesco PN (+2,59%) e para as units do Santander (+3,17%).

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