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Com dúvidas sobre Trump, dólar sobe para R$ 3,44 e fecha no maior patamar desde junho

Em quatro sessões seguidas de alta, moeda valorizou 8,5%; Bolsa teve dia instável, mas fechou em alta de 0,80%

Simone Cavalcanti, Ana Westphalen, Broadcast

14 Novembro 2016 | 14h54

O dólar comercial à vista fechou em alta de 1,15% nesta segunda-feira, 14, ainda sob efeitos da cautela dos investidores com a vitória do empresário Donald Trump na eleição presidencial americana. A moeda encerrou os negócios a R$ 3,4444, a maior cotação desde 7 de junho deste ano e durante a sessão chegou a bater R$ 3,4697. Desde a confirmação do resultado da eleição nos Estados Unidos, a moeda americana subiu por quatro sessões seguidas e acumula alta de 8,5%.

 

 

 

A véspera do feriado da Proclamação da República no Brasil também influenciou a postura mais conservadora no mercado doméstico. A Bolsa teve um pregão instável, mas encerrou os negócios em leve alta de 0,80%, aos 59.657,22 pontos, se recuperando após três quedas sucessivas e perdas acumuladas de 7,75%. 

Entre as ações mais negociadas, os papéis da Petrobrás encerraram em queda de 0,37% (ON) e -0,07% (PN), em meio à fraqueza do petróleo no mercado internacional. Na esteira do rali recente das commodities metálicas, as ações da Vale deram continuidade aos ganhos vistos nos últimos dois pregões e avançaram 1,85% (ON) e 4,70% (PNA). Apesar da queda do minério de ferro no mercado à vista chinês hoje, os papéis da mineradora e de pares internacionais como BHP e Anglo American tiram proveito da perspectiva de que o governo Trump impulsionará os gastos com infraestrutura nos EUA.

Também no cenário doméstico, no mercado de renda fixa, os vencimentos futuros seguiram no ajuste para cima, indicando maior probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a taxa básica de juro novamente em 0,25 pontos porcentuais na reunião do dia 30 de novembro.

'Efeito Trump'. Em sua campanha à Presidência, Trump prometeu criar empregos principalmente por meio de gastos em infraestrutura, o que pode gerar inflação e obrigar o Federal Reserve, banco central norte-americano, a ser mais agressivo em sua política de elevação das taxas de juros. Assim, as taxas dos títulos norte-americanos subiam, com destaque para os de 10 anos.

Juros mais altos nos Estados Unidos têm potencial para atrair recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro. O dólar também subia frente a outras moedas de países emergentes nesta sessão, como o peso mexicano.

Com a forte reação no mercado de câmbio à eleição de Trump, o Banco Central brasileiro voltou a atuar por meio de swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Neste pregão, vendeu 15 mil contratos para rolar os swaps que vencem em 1º de dezembro.

No entanto, o mercado está de olho em novas atuações, como fez o BC no pregão passado, quando anunciou outros dois leilões de swaps tradicionais. Desde abril, o BC não usava esse instrumento, atuando apenas por meio de swaps reversos, que equivalem à compra futura de dólares.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, já afirmou que continuará atuando no mercado de câmbio, ressaltando que o estoque de swaps tradicionais é menor hoje em dia, o que dá "conforto" para a ação do BC. Disse ainda que o câmbio flutuante no Brasil é uma importante ferramenta e repetiu que o BC somente reduzirá o estoque de swaps tradicionais quando as condições de mercado permitirem. /COM REUTERS

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