Dólar segue otimismo global por emprego nos EUA e cai

O dólar retomou a trajetória de queda frente ao real nesta sexta-feira, com investidores atentos ao cenário externo mais otimista após números melhores sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

07 de agosto de 2009 | 16h42

A moeda norte-americana caiu 0,65 por cento, a 1,825 real na venda, mantendo-se nos menores níveis desde o final de setembro do ano passado. Na semana, a divisa acumulou baixa de 2,2 por cento.

"Saíram os números sobre o desemprego nos Estados Unidos e, apesar da continuação das demissões, o mercado enxergou o dado como positivo", citou o gerente de operações da Corretora Confidence, Felipe Pellegrini.

Um relatório do governo norte-americano revelou nesta manhã que os empregadores do país fecharam 247 mil vagas em julho, no menor corte mensal desde agosto do ano passado. A taxa de desemprego caiu a 9,4 por cento, ante 9,5 por cento em junho.

Analistas estimavam o corte de 320 mil postos de trabalho e uma elevação da taxa de desemprego para 9,6 por cento.

Foi o suficiente para os investidores interromperem o movimento de realização de lucros da última sessão. Wall Street e o principal índice da bolsa paulista subiam mais de 1 por cento no final da tarde.

Já no mercado internacional, os números melhores fizeram o dólar avançar mais de 1 por cento frente a uma cesta com as principais moedas.

Além do ânimo no quadro global, o diretor de câmbio da Pionner Corretora, João Medeiros, citou que a queda do dólar foi também sustentada pela pressão de bancos. "(Os bancos) estão vendidos no mercado futuro e aumentaram a 1,5 bilhão de dólares suas posições vendidas no mercado à vista em julho."

Na véspera, de acordo com números da BM&FBovespa, as instituições bancárias exibiam cerca de 4,6 bilhões de dólares em posições vendidas no mercado futuro. Essa exposição revela apostas na queda da moeda norte-americana.

TENDÊNCIA

Para Medeiros, a trajetória do dólar no curto prazo ainda é descendente, em linha com a expectativa de mais ingressos de recursos, principalmente via segmento financeiro.

"Acredito que vamos buscar cotações inferiores às atuais. Não me surpreenderia se chegássemos a uma taxa (de câmbio) de 1,70 real. Os números da bolsa (paulista) dão uma ideia disso."

Segundo dados da BM&FBovespa, a entrada líquida de capital estrangeiro nas duas primeiras sessões de agosto foi de 966 milhões de reais. Com isso, o saldo positivo líquido no ano superou 13 bilhões de reais.

Em relatório, o BNP Paribas avaliou que os prognósticos para a moeda brasileira ainda são de valorização, em linha com sinais mais concretos de ajuste na conta corrente brasileira e a normalização do fluxo na conta de capital. "Continuamos com perspectiva de alta para o real, embora esperemos que alguma correção aconteça no curto prazo."

Tudo o que sabemos sobre:
DOLARFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.