Dólar sobe 0,1% e fecha a R$ 1,783, após operar em baixa

Moeda norte-americana ficou sem direção definida no pregão desta segunda; BC atou

Taís Fuoco, da Agência Estado,

21 de dezembro de 2009 | 16h53

Na ausência de notícias que pudessem influenciar o mercado doméstico de câmbio nesta segunda-feira que abre a semana curta do Natal, o dólar operou sem definição, muito perto da estabilidade durante todo o dia. Por influência da valorização do dólar frente a outras moedas, por aqui a divisa também inverteu o sinal e passou a subir na hora final do pregão. No mercado à vista, o pronto da BM&F avançou 0,10%, a R$ 1,7830, enquanto o dólar no balcão fechou quase estável, com alta de 0,06%, a R$ 1,7840, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,7860 e a mínima de R$ 1,7710. O giro das operações com liquidação em dois dias (D+2) era, perto das 16h45, US$ 2,5 bilhões, enquanto na sexta-feira no mesmo horário alcançava US$ 4 bilhões.

 

Como sinalizou um relatório do Scotia Capital, espera-se que, na medida em que o calendário global se torna mais e mais leve, a liquidez decline até a metade da semana, "o que pode deixar os mercados vulneráveis a padrões de negociação bizarros", disseram os economistas da instituição em relatório.

 

Ovídio Soares, operador de câmbio da Finabank, entretanto, espera que a próxima semana possa trazer mais movimento que nesta, na medida em que os investidores estiverem "corrigindo posições" antes do encerrar de 2009. Hoje, na sua avaliação, o dólar "anda de lado". Perto das 15h30, por exemplo, horário em que tradicionalmente já teriam sido negociados algo como 210 mil contratos de dólar futuro, ele informou que só haviam sido negociados 147 mil.

 

O mercado financeiro não alterou a previsão para o nível do dólar em relação ao real no fim de 2010, de acordo com a pesquisa Focus apresentada pelo Banco Central. A mediana das previsões para a cotação da moeda norte-americana ao final de dezembro do ano que vem seguiu em R$ 1,75 pela nona semana seguida. Para o fim deste ano, a estimativa foi elevada de R$ 1,73 para R$ 1,74, ante R$ 1,70 de quatro pesquisas antes. A mediana das previsões para a taxa média de câmbio no decorrer de 2010 seguiu em R$ 1,73. Há um mês, essa previsão era de R$ 1,74. Para 2009, a projeção de dólar médio seguiu em R$ 1,99 pela nona semana seguida.

 

O Banco Central deixou para os minutos finais do pregão a sua intervenção no mercado à vista e comprou, em leilão encerrado às 15h53, a moeda à taxa de corte de R$ 1,7845.

 

Sem outras notícias relevantes, o mercado doméstico se pautou pelo comportamento do dólar frente a outras moedas. O sentimento de que a maior economia do mundo poderá se recuperar mais rapidamente do que se imagina, que elevou as bolsas em Nova York, também contribuiu para que o dólar marcasse seu maior nível em seis semanas na comparação com o iene.

 

A alta foi uma reação, de acordo com analistas, à fala do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, em entrevista à rede CNBC. Segundo ele, o Fomc deve manter os juros no atual patamar de 0% a 0,25% por um tempo prolongado, mas depois esclareceu que por "tempo prolongado" entendia as próximas três ou quatro reuniões.

 

O índice nacional de atividade dos EUA, medido pelo Federal Reserve Bank de Chicago, subiu de -1,02 em outubro para -0,32 em novembro, pondo fim a uma sequência de três meses de piora. Segundo a Dow Jones, a melhora em novembro resultou da alta de indicadores relacionados à produção industrial e de números sobre emprego melhores do que o previsto, que fizeram crescer a especulação em torno dos prazos de uma alta da taxa de juros nos EUA.

 

Como salientou um operador local, o mercado está mais sensível e cauteloso há dias em relação ao risco e apostando na valorização da moeda americana. O movimento também foi citado em relatório diário da NGO Corretora. "O mercado de câmbio brasileiro continua sancionando sustentabilidade no movimento de recuperação do preço da moeda americana, naturalmente com volatilidade, e, embora perdurem posicionamentos no mercado futuro de dólar que sugerem disputas ao encerramento do ano naquele ambiente com reflexos no mercado à vista, há em perspectiva uma perda de atratividade em especular com o real", diz Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO, na avaliação.

 

"Um olhar mais rigoroso sobre o Brasil em 2010 mantém o otimismo, mas com a certeza de que o país não será ainda nesse ano uma potência mundial para ombrear-se com os países desenvolvidos, porém será muito focado no sentido de verificar-se se confirma o otimismo ou se vai esbarrar nos seus próprios problemas, política fiscal e deficiências estruturais que não foram contempladas pelo governo ao longo dos sete anos", acrescentou Nehme.

 

Perto das 16h45, o dólar subia 0,69% sobre a divisa japonesa, a 91,12 ienes, enquanto o euro caía 0,35%, a US$ 1,4289, e a libra perdia 0,63%, a US$ 1,6060.

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