Dólar sobe 0,29% no dia e tem alta de 0,05% na semana

Com a cotação de R$ 2,0880 no fechamento, investidores evitaram se expor antes do fim de semana em meio a incertezas com a situação fiscal nos EUA

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

14 de dezembro de 2012 | 17h13

O dólar à vista encerrou o dia em alta no mercado de balcão, com os investidores evitando a exposição no fim de semana, em meio às incertezas externas, principalmente sobre os debates em torno da questão fiscal nos Estados Unidos, combinadas com o fator sazonal interno de intensificação de remessas de dividendos por corporações e reavaliação de estratégias de hedge devido ao fechamento do ano.

Tal combinação, cita um operador, acabou "pressionando um pouco o dólar em alta". A primeira parte da sessão foi marcada por volatilidade. O gerente de câmbio da Multi Money Corretora de Câmbio, Durval Correa, considera que o volume foi fraco em grande parte desta sexta-feira, mostrando mais fôlego a partir do meio da tarde. Mais cedo, quando a moeda, amparada por demanda compradora, atingiu a máxima de R$ 2,090, vendedores vieram ao mercado. Em consequência, o dólar reduziu a alta e chegou a testar o terreno negativo.

No mercado de balcão, o dólar à vista fechou cotado a R$ 2,0880, com alta de 0,29%. Na semana, a moeda apresenta leve ganho (+0,05%). Na máxima desta sexta-feira, a divisa bateu em R$ 2,0900 e tocou R$ 2,0770, na mínima. Em torno das 16h30, o giro financeiro somava US$ 2,614 bilhões. Na BM&F, não houve negócios com a moeda spot. No mesmo horário, o dólar para janeiro de 2013 era cotado a R$ 2,0905 (+0,05%).

É preciso destacar que a semana foi, particularmente, intensa em declarações de membros do Banco Central sobre o câmbio. As falas, na percepção de grande parte dos agentes do mercado, foram esclarecedoras e corrigiram potenciais distorções causadas não só por números fracos da economia, como também por discursos, considerados dissonantes por operadores, de membros do governo sobre o nível da moeda.

A partir das declarações dos representantes do BC, o superintendente de câmbio da Advanced Corretora de Câmbio, Reginaldo Siaca, cita que o mercado deixou de lado a percepção anterior de que o teto para a negociação do dólar estaria em R$ 2,12. "Em face dos discursos, acredito que, neste novo cenário, tem ''gordura'' (no câmbio)", observou, citando expressão utilizada pelo diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, na segunda-feira (10), quando mencionou que "o dólar está acima do modelo do BC".

A partir das declarações, considera a economista-chefe da Rosenberg Consultores Associados, Thaís Zara, houve sinalização de que, a menos que haja um grande movimento vindo de fora, um caso que o BC provavelmente atuaria para tentar acomodar, o dólar deve se manter entre R$ 2,06 a R$ 2,09. "Não vão deixar (o dólar) cair muito abaixo disso para tentar ajudar a atividade e a indústria. E muito acima ficaria muito complicado por conta da inflação", acrescentou.

No exterior, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar da China, medido pelo HSBC, subiu para 50,9 em dezembro - o nível mais alto em 14 meses - em comparação com a leitura final de 50,5 em novembro e deu suporte para algumas divisas de elevada correlação com os preços das commodities. Mas há casos, como o dólar canadense, em que as negociações em torno da arena fiscal nos EUA e a preocupação com o abismo fiscal ofuscaram a divulgação de dados econômicos e impulsionaram o dólar dos EUA.

Tudo o que sabemos sobre:
câmbiofechamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.