Dólar sobe 0,85% por exterior, dado industrial e Bolsa

A moeda dos EUA fechou a R$ 2,249, nível mais alto desde o último dia 20, e ampliou a alta no ano para 9,98%

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

02 de julho de 2013 | 16h53

A busca por segurança em dólar caracterizou o mercado de câmbio brasileiro nesta terça-feira, 2. A divisa norte-americana foi influenciada pelo exterior negativo, pela fuga de investidores da Bovespa e pelos dados decepcionantes da produção industrial no País em maio. Ainda assim, o Banco Central (BC) manteve-se fora dos negócios. O dólar à vista negociado no balcão fechou em alta de 0,85%, cotado a R$ 2,2490. Trata-se do maior patamar desde o último dia 20. No ano, a moeda norte-americana acumula alta de 9,98%.

Em alta ao longo do dia, na cotação mínima, registrada na abertura, o dólar valeu R$ 2,2360 (+0,27%) e, na máxima, às 15h12, atingiu R$ 2,2540 (+1,08%). Perto das 16h30, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 2,005 bilhões. No mercado futuro, o dólar para agosto era cotado a R$ 2,2630, em alta de 0,87%.

Pela manhã, o dólar avançava ante boa parte das divisas com elevada correlação com commodities, em meio a especulações sobre quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) iniciará o processo de redução de estímulos à economia do país.

No Brasil, a valorização do dólar também foi favorecida pelos dados de produção industrial divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio, a produção industrial caiu 2% ante abril, na série com ajuste sazonal. O resultado veio abaixo do piso das estimativas, que iam de -1,70% a zero. Em relação a maio de 2012, a produção industrial subiu 1,4%. A retração da indústria foi generalizada, atingindo 20 dos 27 ramos pesquisados.

À tarde, o cenário externo voltou a pesar. A expectativa antes da divulgação do relatório de empregos nos EUA (payroll), na sexta-feira, 5, direcionou a procura por segurança. Além disso, o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, afirmou que o banco central norte-americano ainda não está pronto para apertar a política monetária. Mas, segundo ele, provavelmente o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) começará a reduzir o programa de compra de bônus mais tarde neste ano, embora esse movimento não deva ser interpretado como sinal de planos para uma elevação das taxas de juros de curto prazo.

"No exterior, o mercado piorou um pouco mais, a gente viu o euro ''furando'' a casa de US$ 1,30 e as moedas commodities também pioraram (em relação ao dólar)", comentou um profissional da mesa de câmbio de um grande banco. "E nossa Bolsa também registra uma das maiores quedas dos últimos tempos, o que faz os investidores saírem das ações e buscarem o dólar", acrescentou. A situação da petrolífera OGX, a produção industrial fraca e a inflação foram alguns dos fatores que motivaram, durante a tarde, a forte baixa da Bovespa.

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