JF DIorio/Estadão
JF DIorio/Estadão

Dólar sobe 1,15% com críticas de Guedes a relatório da Previdência

Há temores de que um confronto entre Guedes e o parlamento leve a uma diluição maior da reforma da previdência no plenário da Câmara

Antonio Perez e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 18h57

O ressurgimento das tensões políticas domésticas fez com que investidores corressem ao dólar em busca de proteção ao longo da tarde desta sexta-feira, 14. Já em alta pela manhã em meio a um movimento global de fortalecimento da moeda americana, o dólar acelerou à tarde após declarações duras do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, sobre o parecer da reforma previdência apresentado ontem na comissão especial da Câmara.

Com máxima de R$ 3,9136, o dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira em alta de 1,15%, a R$ 3,8991 - maior valor de fechamento em junho. Apesar de terminar a semana com alta de 0,57%, a moeda americana ainda cai 0,67% no acumulado do mês.

Há temores de que um confronto entre Guedes e o parlamento leve a uma diluição maior da reforma da previdência no plenário da Câmara. Um divórcio entre governo e Congresso também lança dúvidas sobre o restante das reformas e abala a confiança dos investidores, justamente em um momento em a economia brasileira flerta com a recessão. O Banco Central (BC) divulgou pela manhã que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu 0,47% em abril em relação a março e aumento a pressão por uma redução de juros. 

Além da volta do espectro da crise política, o real também foi abalado nesta sexta-feira pela alta global da moeda americana, após dados mais melhores que o esperado da economia dos Estados Unidos, como vendas no varejo e produção industrial, jogarem dúvida sobre um corte iminente dos juros pelo Federal Reserve. O índice DXY - que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes - subiu mais de 0,5% e atingiu o maior patamar em mais de duas semanas. O dólar também avançou em relação à maioria das divisas de países emergentes e exportadores de commodities, embora tenha caído na comparação com o peso mexicano, considerado par do real.

Bolsa

Em meio à troca de farpas, o Índice Bovespa terminou o dia em queda de 0,74%, aos 98.040,06 pontos. Com esse resultado, encerrou a semana com alta de 0,22%.

O cenário internacional também não ajudou. Indicadores econômicos chineses frustraram expectativas e houve tensão com a relação entre Estados Unidos e Irã, acusado por Washington de ser o responsável pelo ataque a dois navios petroleiros na véspera.

No âmbito macroeconômico doméstico, o IBC-Br de abril abaixo do piso das estimativas trouxe desânimo para as ações, com analistas já à espera de redução das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) na próxima edição do Boletim Focus.

Entre as ações do Ibovespa, as quedas mais expressivas ficaram novamente com as do setor financeiro, que reagem à proposta de restabelecimento da alíquota de 20% na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para os bancos. A elevação de imposto no relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) foi um dos pontos mais atacados por Paulo Guedes.

"Isso aí (o valor de R$ 913,4 bilhões anunciado) estão pegando imposto, botando imposto sobre banco. Isso é política tributária. Estão buscando dinheiro de PIS/Pasep, mexendo em fundos. Estão botando a mão no dinheiro do bolso dos outros", afirmou Guedes, ao deixar evento no Consulado-Geral da Itália.

Ao final dos negócios, Banco do Brasil ON teve queda de 1,77%, Bradesco ON perdeu 1,36% e B3 ON recuou 5,32%. Já Itaú Unibanco PN recuperou-se ligeiramente e terminou o dia praticamente estável (+0,03%). Já as ações da Petrobras seguiram caminhos distintos, em dia de alta do petróleo no mercado internacional.

As ações ordinárias da estatal, preferida por investidores estrangeiros, tiveram alta de 0,94%. Já as preferenciais, que concentram maior liquidez, recuaram 0,44%. Vale ON caiu 0,87%, alinhada aos dados negativos da China.

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