finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Dólar sobe 1,3% e fecha no patamar mais alto desde junho

A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 1,9520, uma alta de 1,30%. Na semana, o dólar acumulou valorização de 2,63%

SILVIO CASCIONE, REUTERS

10 de agosto de 2007 | 17h24

O dólar fechou nesta sexta-feira no nível mais alto desde junho em meio à turbulência nos mercados internacionais, que tiveram mais um dia de preocupação com as condições de crédito e a liquidez global. A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 1,9520, uma alta de 1,30%. Na semana, o dólar acumulou valorização de 2,63%. Entenda os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA Veja o comportamento dos mercados BCs entram com dinheiro, mas bolsas mantêm quedaEx-diretor do BC avalia que intervenções são alerta A sexta-feira começou com fortes perdas nos mercados acionários de todo o mundo, e a turbulência fez a taxa de câmbio atingir R$ 1,9670 em poucos minutos de negócios."O mercado estava nervoso no início do dia. As bolsas asiáticas haviam encerrado com forte queda, as bolsas européias passaram a operar em forte baixa e os índices futuros de Nova York e do Brasil também apontavam nessa direção. Tudo sinalizava no início do dia que ele podia ser mais turbulento", disse Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.De acordo com Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora, a alta do dólar em um cenário de tensão se justifica pela saída de investidores estrangeiros do País. "Nessa situação, acaba saindo tanto quem precisa cobrir (perdas no exterior) quanto quem está esperando a volatilidade e está um pouco mais preocupado com a situação. O movimento em direção à liquidez é generalizado, por isso que o contágio financeiro é bastante difícil de ser evitado", disse.Ao longo do dia, porém, as injeções de capital do Federal Reserve (banco central norte-americano) no mercado ajudaram a conter o nervosismo dos investidores, e as ações nos Estados Unidos chegaram a operar brevemente em leve alta. Com a tensão um pouco mais controlada, o dólar reduziu a intensidade da alta durante a sessão.Situação dos emergentes Além disso, analistas têm avaliado que os fundamentos econômicos dos países emergentes impedem uma fuga generalizada de capitais, podendo até atrair algum fluxo de investidores. "A maior parte da volatilidade ficou de fato nos credit default swaps (seguros contra inadimplência). Há pessoas que usam os mercados emergentes como um instrumento de hedge para outros tipos de ativos", afirmou Jeff Grills, gestor de fundos no JP Morgan Asset Management em Nova York.A turbulência nos mercados se intensificou no final de julho com a preocupação dos investidores com o crédito imobiliário de alto risco nos Estados Unidos, e ganhou mais força à medida que surgiram problemas em diversos fundos associados ao setor. Tendência mantida Analistas acreditam que a tendência de médio e longo prazos para o dólar permanece a mesma, ainda que não seja possível definir com precisão o grau de volatilidade das próximas sessões, e o mercado de câmbio deve continuar a sofrer menos com a turbulência em relação a outros mercados."No mercado de câmbio em especial, as oscilações acabam sendo reduzidas um pouco em função do colchão de reservas do BC, e também pela percepção, ao menos por enquanto, de que os problemas são transitórios e que é uma crise restrita aos mercados financeiros e de crédito", sem impacto relevante sobre a economia real, afirmou Caramaschi."O que vai ocorrer é uma mudança do patamar de risco, os preços dos ativos vão sofrer um pouco. Certamente vai ter muita volatilidade, mas sem que isso gere uma recessão", complementou o economista.Mesmo assim, a instabilidade dos mercados pode fazer o dólar superar R$ 2 no curto prazo, afirmou Miriam Tavares, da AGK. "No curto prazo a gente tem mais dificuldade para avaliar, porque é mais a emoção, mais as notícias pontuais que movem o investidor... A probabilidade de que continue a volatilidade é maior, não consigo afirmar que esse preço do dólar seja o pico."José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação, tem opinião semelhante, e acredita que o patamar poderá ser atingido na próxima semana. "Não tem limite (de alta). Como não tem limite para cair, também não tem para subir", disse.Mesmo com a instabilidade, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista e ajudou a moeda a acelerar um pouco a alta no final da sessão. A autoridade monetária definiu corte a R$ 1,9445 e aceitou, segundo um operador, ao menos sete propostas.

Tudo o que sabemos sobre:
Aversão ao riscoMercado cambial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.