Dólar sobe 2,52% com turbulência nos mercados externos

Moeda norte-americana encerrou o dia cotado a R$ 1,8300, o nível mais alto desde 27 de novembro de 2007

Agência Estado,

21 de janeiro de 2008 | 16h16

A piora do mercado de ações no cenário externo, que contagiou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também atingiu o mercado cambial e as taxas de juros no Brasil. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 1,8300, em alta de 2,52%. É o nível mais alto desde 27 de novembro de 2007. Com o resultado desta segunda-feira, o dólar acumula alta de 3,10% no ano. No segmento de juros futuros, as taxas fecharam em níveis bastante elevados, principalmente nos contratos de longo prazo, trecho que está mais sujeito aos movimentos de aversão ao risco. Os contratos com juros pós-fixados (DIs) com vencimento à frente de janeiro de 2010 encerraram acima de 13%. O DI janeiro de 2010 disparou a 12,99%, de 12,75% na sexta-feira. O DI janeiro de 2009 foi o mais negociado e subiu a 12,04%, de 11,92% no pregão anterior. A semana começou muito mal para o investidor, sendo que não houve nenhuma novidade que pudesse ter desencadeado os níveis de deterioração vistos hoje. De qualquer maneira, ganharam força a perspectiva de recessão nos Estados Unidos e seu contágio na economia mundial; a crença de que os prejuízos causados no setor subprime (mercado imobiliário de risco) apenas começaram a emergir; a piora das projeções dos resultados do setor corporativo; e a crescente avaliação de que os bancos centrais dos países ricos, principalmente o Federal Reserve, estão perdendo o capacidade de controlar a situação. Perdas Nesta segunda-feira, feriado em que os EUA celebram o Dia de Martin Luther King Jr., somente funcionaram em Nova York os índices futuros de ações, estando os principais pregões fechados. As perdas fortes registradas pelas Bolsas asiáticas provocaram um efeito dominó nas demais. Na Europa, a Bolsa de Frankfurt derreteu 7,16%, a de Paris, 6,83% e a de Londres, 5,48%. As ações do setor financeiro foram as mais castigadas pelo temor do anúncio de novas baixas contábeis advindas do segmento subprime. Os papéis do Société Générale caíram 7,99%, as do holandês ING Groep recuaram 10,49% e as do alemão Deutsche Bank fecharam em baixa de 7,31%.  Commerzbank despencou 10,06%. O alemão WestLB AG disse que vai fazer uma baixa contábil de € 1 bilhão relacionado a sua exposição no subprime. As perdas desta segunda-feira na Europa também são as mais acentuadas em termos porcentuais desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Muitos analistas trabalham com a percepção de que os EUA já estariam em recessão e teme-se o efeito que isso pode gerar na economia global. Acredita-se que os mercados emergentes deverão ser afetados, sobretudo em razão da desvalorização nos preços das commodities (produtos com preços definidos no mercado internacional), um dos principais sustentáculos das balanças comercias desses países. Mesmo os fundamentos da economia brasileira, ainda que sólidos, podem não ser capazes de blindar o País do efeito perverso da crise. Resta agora a expectativa a respeito da reabertura das Bolsas em Wall Street amanhã e se poderão dar alguma esperança de recuperação dos mercados.

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