Dólar sobe 2,62% em julho e termina o mês em R$ 2,27

A moeda americana avançou 0,98% nesta quinta-feira e acumula, só nas três últimas sessões, uma valorização de 2,11%

Denise Abarca, Agência Estado

31 de julho de 2014 | 17h09

O dólar doméstico subiu pela terceira sessão consecutiva, período em que acumulou valorização de 2,11% ante o real e, no mês, de 2,62%. Nesta quinta-feira, a moeda registrou alta de 0,98% no balcão, cotada em R$ 2,270 - maior nível desde 4 de junho (R$ 2,2840). De acordo com fontes nas mesas de câmbio, houve giro financeiro razoável no segmento à vista.

A pressão de alta mais acentuada sobre a moeda no âmbito doméstico foi registrada no período da manhã, quando, além da tensão externa, os negócios também estavam sob influência da disputa pela Ptax de hoje, que vai balizar a liquidação de contratos futuros de dólar e os swaps cambiais ofertados pelo Banco Central, que vencem amanhã. Definida a Ptax - que fechou a R$ 2,2674, com alta de 1,01% em relação ao encerramento de ontem (R$ 2,2447) -, a alta do dólar foi suavizada à tarde.

De todo modo, os fatores externos foram os principais pilares para o comportamento do câmbio doméstico, com destaque para a cautela antes da divulgação do relatório de emprego norte-americano de julho e o fracasso das negociações da Argentina com fundos credores.

Após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA de 4%, em termos anualizados, no segundo trimestre, o mercado tenta se antecipar a um eventual dado mais forte do payroll amanhã - a previsão é de que tenham sido criados 230 mil postos de trabalho em julho -, uma vez que cresceu no mercado a percepção de que o juro norte-americano pode ser elevado antes do previsto. Isso, mesmo que ontem o Federal Reserve tenha dito em seu comunicado, divulgado após a reunião de política monetária, que a postura acomodatícia da política monetária continua apropriada e que os juros continuariam baixos "por tempo considerável" após o fim do programa de compra de ativos. Nesta manhã, o Departamento de Trabalho anunciou um crescimento do número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana para 302 mil, abaixo do esperado (305 mil).

Ainda, os investidores citam que o chamado default seletivo da Argentina em relação às dívidas em posse de fundos credores (holdouts) pode trazer algum impacto negativo para a balança comercial brasileira. A Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA, na sigla em inglês) vai se reunir amanhã para decidir se ocorreu um calote e se, com isso, o seguro de crédito contra default soberano do país será acionado.

Ainda no front externo, a aversão ao risco foi acentuada pelo prejuízo do Banco Espírito Santo (BES), de 3,488 bilhões de euros no segundo trimestre de 2014.

Por fim, contribuiu adicionalmente para o viés de alta da moeda americana ante o real o fato de que o Banco Central fará resgate amanhã de cerca de US$ 2,5 bilhões devido à rolagem parcial do vencimento de US$ 9,6 bilhões em swap cambial em agosto. Pela manhã, o BC fez o leilão de swap no qual vendeu os 4 mil contratos ofertados para dois vencimentos, com total de US$ 198,5 milhões. Também realizou dois leilões de linha de dólares com recompra programada em janeiro e fevereiro de 2015, com oferta de até US$ 2,5 bilhões para rolagem de vencimentos desses empréstimos em agosto, mas não informou quanto foi rolado efetivamente nessas duas operações.

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