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Dólar sobe 2% com aposta de alta de juros nos EUA

O temor de reflexos negativos nas bolsas da valores de um aperto monetário determinou queda de 0,5% da Bovespa

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 18h18

O fortalecimento das apostas em um aumento dos juros nos Estados Unidos em junho deu sustentação ao dólar no mercado internacional e fez a moeda americana fechar em alta de 2% no Brasil, cotada a R$ 3,5593. Já o temor de reflexos negativos desse possível aperto monetário para as bolsas de valores foi determinante para a queda da Bovespa, que acompanhou o mercado americano e recuou 0,55%, aos 50.561,70 pontos.

A percepção de que um aperto monetário nos EUA pode estar próximo cresceu com a ata da última reunião do Federal Reserve. No documento, o Fed disse que seus dirigentes mantêm a possibilidade de alta de juros em junho. Além disso, a instituição afirmou que alguns membros acreditam que a expectativa do mercado sobre junho está "indevidamente baixa".

Na prática, o dólar acelerou os ganhos ante as divisas globais e isso impactou as cotações também no Brasil. Por aqui, a moeda americana já subia desde cedo, sob influência do exterior, onde havia expectativa pelo Fed, e do leilão de swap cambial reverso feito pelo Banco Central. Na operação, equivalente à compra de dólares no mercado futuro, a instituição colocou todos os 20 mil contratos ofertados (US$ 1 bilhão). Também havia certa cautela em relação ao cenário político, sendo que alguns profissionais se mostravam ansiosos para que o governo Michel Temer anuncie as primeiras medidas de impacto na área econômica.

A Bovespa, por sua vez, já havia alternado altas e baixas desde a abertura, mas subia minutos antes da ata do Fed. A tendência foi invertida poucos minutos após a divulgação do documento, antecipando a possibilidade de migração de recursos para a renda fixa, caso a alta de juros nos EUA se concretize.

Segundo profissionais do mercado, a queda não foi maior porque na véspera a Bolsa já havia caído 1,86%, justamente por conta da expectativa de aperto monetário nos EUA. Indicadores de atividade econômica e inflação no varejo vieram acima do previsto e reforçaram a percepção de melhora da economia daquele país. Além disso, três diretores regionais do Fed haviam acenado com a possibilidade de iminente elevação dos juros.

Outro limitador de uma queda maior no mercado brasileiro foi o desempenho positivo dos bancos. A valorização foi atribuída a uma recuperação de perdas recentes, que se manteve mesmo após a virada final da Bovespa, com a ata do Fed. Itaú Unibanco PN, ação de maior peso na carteira do Ibovespa, teve alta de 1,55%. Bradesco PN subiu 0,44%. No noticiário corporativo, o destaque foi a suspensão dos negócios com recibos de ações da Eletrobras na bolsa de Nova York, anunciada no início da tarde. A decisão decorre do atraso da empresa estatal de enviar o formulário 20-F à Securities and Exchange Commmission (SEC), a CVM americana. Em consequência, Eletrobrás PNB chegou a cair mais de 8% após a notícia e fechou em baixa de 2,08%. 

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