Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Dólar sobe 3,20%, refletindo mau humor global; Bovespa cai

Bolsa de São Paulo é prejudicada por decepção dos investidores com Petrobras e pessimismo externo

Reuters e Agência Estado,

12 de novembro de 2008 | 16h33

Refletindo o pessimismo apresentado pelas bolsas de valores ao redor do mundo, o dólar fechou em alta de quase 3% frente ao real nesta quarta-feira, 12, apesar da realização de leilões pelo Banco Central. A moeda norte-americana terminou a R$ 2,293, com avanço de 3,20%. Veja também:EUA não devem comprar papéis podres, diz Paulson Câmara conclui votação de MP 433, que agora vai ao Senado Caixa libera R$ 2 bi para financiar consumo Desemprego britânico é recorde e indústria européia desaceleraDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos No mercado de ações, a decepção dos investidores com o crescimento dos custos operacionais da Petrobras em R$ 2,4 bilhões no terceiro trimestre derrubou as ações da estatal, encobrindo completamento o lucro líquido recorde trimestral de R$ 10,852 bilhões, anunciado na terça-feira. Os papéis de Petrobras despencavam mais de 9%, arrastando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para as mínimas do dia. Às 16h37, o principal índice da Bolsa caía 7,56%, aos 34.446 pontos.  Nos Estados Unidos, as bolsas também aprofundavam a queda para mais de 3%, reagindo a declarações do secretário do Tesouro, Henry Paulson. O Dow Jones tinha queda de 3,09%, enquanto o Nasdaq registrava desvalorização de 2,95% e o S&P 500 caía 3,29%.  A principal "decepção" citada em relatório dos analistas foi quanto ao crescimento das despesas operacionais em R$ 2,4 bilhões. "Ficamos desapontados. As despesas operacionais atingiram a R$ 8,1 bilhões no período, um recorde", aponta o relatório do Citi, lembrando que tinha havido uma redução destes custos no primeiro trimestre e que agora demonstram novas altas. Em conferência com analistas que está acontecendo neste momento, o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, citou como principais causas para a elevação das despesas um aumento no número de poços secos no período, além de multas pela não entrega de gás e a própria ociosidade das usinas térmicas. Ele também destacou um fator não recorrente que foi o pagamento de um bônus aos funcionários, equivalente a 80% dos salários, em setembro. Para o UBS, "restam dúvidas" de que o terceiro trimestre da Petrobras pode ser considerado forte. "A combinação de aumento na produção (+6%) altos preços do óleo no mercado internacional (US$ 117 por barril ), aumento recente do diesel e da gasolina, são muito positivos. Porém restam dúvidas porque parece que foco dos investimentos infelizmente esteve em gerar os ganhos do terceiro trimestre", diz o relatório do UBS, completando que "o mundo mudou significativamente desde o final do terceiro trimestre e o foco dos investidores está nos preços de óleo mais fracos, e diante disso, fluxos de caixa, custos, dívidas e despesas deveriam ser vistos sob estes cenários de estresse." Europa As ações negociadas no mercado europeu fecharam em queda nesta quarta-feira, puxadas por papéis do setor bancário e petrolífero, que caíram com preocupações de mais perdas e piora do cenário econômico. Wall Street digeria mudanças no pacote do setor financeiro de 700 bilhões de dólares. O índice das principais ações européias FTSEurofirst 300 fechou em queda de 3,4%, a 853 pontos.  Credit Suisse puxou a queda dos bancos, levando um tombo de 8,8% com conversas sobre uma grande perda de negócios. O banco se recusou a comentar. O banco francês Natixis mergulhou 13,5%, depois de ter informado que sua unidade de núcleo de investimentos bancários teve grandes problemas no último mês, enquanto Barclays, Standard Chartered, Deutsche Bank e Société Générale também registraram perdas. Swiss Life desabou 20% depois de advertência sobre lucros e ING perdeu 3,9% depois de ter registrado a primeira perda trimestral.

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