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Dólar sobe 3% e fecha no maior nível desde março

Moeda norte-americana fecha o dia cotada a R$ 2,092 ; Bovespa cede 6,61%, após queda de quase 9%

Reuters,

16 de agosto de 2007 | 16h27

O dólar fechou nesta quinta-feira, 16, no maior nível desde março, pressionado pela saída de investidores estrangeiros em meio à deterioração do ambiente financeiro internacional. A alta, porém, desacelerou no final da tarde depois que as bolsas de valores reduziram as perdas.   Veja também: Brasil sairá da crise como escolhido para investimentos, diz Mantega Fechamento dos mercados nesta quinta-feira  Onda de prevenção a prejuízo se abate e juro futuro sobe Em quase um mês, empresas brasileiras perderam US$ 209,7 bi O sobe de desce do dólar Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA Ouça a análise do comentarista Celso Ming     A moeda norte-americana subiu 3% e fechou cotada a R$ 2,092 - maior patamar de fechamento desde 14 de março. Na máxima do dia, o dólar chegou a ser cotado a R$ 2,141 para venda, revertendo toda a queda acumulada em 2007.   "Há uma saída quase absoluta dos investidores estrangeiros de todos os segmentos do mercado financeiro brasileiro", disse Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora. "Porém, este não é um problema só no Brasil, mas em todos os países emergentes e até nas bolsas dos países desenvolvidos".     Os mercados financeiros mundiais vivem uma quinta-feira de pânico, com temores generalizados da contaminação do crédito pelos problemas originados do mercado americano de crédito imobiliário de risco (subprime). A onda negativa foi se espalhando a partir da Ásia, onde todas as bolsas fecharam em baixa, atingiu fortemente a Europa, os EUA e o Brasil. A Bolsa de Valores de São Paulo caía 6,61% às 16h24, depois de chegar a uma queda de quase 9%.   Os mercados se assustaram com o anúncio da norte-americana Countrywide Financial Corp., a maior cedente de crédito hipotecário, de que foi forçada a recorrer a empréstimo emergencial de US$ 11,5 bilhões para financiar suas operações. Para piorar, os indicadores de hoje vieram muito ruins, com o número de construções de novos imóveis residenciais nos EUA caindo ao menor patamar em dez anos e o índice de atividade do Fed de Filadélfia recuando para zero, de 9,2% em julho.   No Brasil, marcas de stop loss foram batidas em praticamente todos os mercados, gerando vendas a qualquer preço. Isso é um procedimento normal para as carteiras de investidores. O mecanismo funciona da seguinte maneira: os gestores definem um patamar máximo para as perdas. Quando o ativo chega a este limite, há uma venda e, por conseqüência, a realização do prejuízo.   O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou este procedimento quando tentou, mais uma vez, acalmar os investidores. "Quando tem uma queda de ativos, os computadores das mesas de operação acendem a luzinha do stop loss e aí vem a ordem de venda dos ativos. Quando esta se dá em grande escala, ocorre o efeito manada. O que estamos vendo hoje é exatamente o efeito manada", disse Mantega.   Aqui, o mercado também foi alarmado por rumores de que um grande fundo nacional estaria em dificuldades financeiras. O ministro, contudo, descartou esta hipótese. Ele disse ainda que o Brasil sairá da crise como o país escolhido para investimentos.   Ele destaca ainda que a crise não afetará as condições do País para atingir o grau de investimento - considerado com baixo risco de crédito. O ministro acredita que alguns países sairão "chamuscados da turbulência". Mas, segundo ele, o Brasil fará parte do "clube dos mais sólidos".   Entenda a crise   O mercado imobiliário americano tem um segmento que oferece crédito a pessoas sem renda comprovada e que têm um histórico de inadimplência. É o chamado mercado subprime. No ano passado, nos EUA, com o fim da bolha dos imóveis, os preços destes ativos caíram e houve uma desaceleração da oferta de crédito e de imóveis. Além disso, os juros chegaram ao patamar máximo, elevando o valor das prestações. O resultado disso foi a inadimplência.   Estas empresas que ofereciam crédito no mercado subprime empacotavam estes financiamentos e vendiam a outros investidores. Assim, elas recebiam de volta o valor emprestado e os investidores ficariam com o valor da prestação das hipotecas mais os juros. Contudo, o calote das pessoas que tomaram crédito provocou perdas para estes investidores.   Para compensar estas perdas, eles saíram de mercados mais arriscados (ações) e migraram para ativos de risco menor (títulos do governo americano). Além disso, a aversão ao risco aumenta com as incertezas sobre a extensão desta crise - quanto em crédito imobiliário está na mão de investidores, e quem são estes investidores. O resultado aqui é a queda das ações de empresas. Não há previsões sobre isso. A única coisa que se sabe é que a aversão ao risco deve continuar.

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