Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Dólar sobe 5% em maio com tensão na política; Bovespa cai 10% no mês

Queda de mais um ministro do governo interino de Michel Temer e o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, pesaram sobre o mercado financeiro

O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2016 | 17h57

O dólar fechou esta terça-feira em alta de quase 1% frente ao real, a R$ 3,61, e acumulou valorização de 5% em maio. A moeda sucumbiu às preocupações na cena política após a queda de mais um ministro do governo interino de Michel Temer e o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Já a Bovespa andou na direção contrária e recuou 1%, encerrando o mês com perda de 10%.

A queda na Bolsa foi determinada pelo setor financeiro, responsável por cerca de 25% da carteira do Ibovespa. Os papéis foram puxados pelas ações do Bradesco, que aceleraram as perdas à tarde, depois da notícia de que a Polícia Federal indiciou o presidente, Luiz Carlos Trabuco, e dois executivos do banco no inquérito da Operação Zelotes que investiga compra de decisões no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Em nota, o Bradesco nega a contração de serviços ou negociação de Trabuco com o grupo investigado pela PF. 

O cenário político doméstico foi fator de desconforto durante todo o dia e, segundo operadores, também influenciou o mercado, por incentivar maior cautela. Depois de Romero Jucá ter deixado o Ministério do Planejamento, na semana passada, ontem foi a vez de Fabiano Silveira pedir demissão do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. A segunda baixa do governo Temer, que teve início no último dia 12, também está relacionada à revelação de áudios comprometedores. Assim como Jucá, Silveira foi flagrado articulando contra a Operação Lava Jato. 

Petrobrás. O petróleo chegou a subir pela manhã, contribuindo para a alta da Bovespa no início dos negócios, mas inverteu a tendência à tarde e arrastou as bolsas americanas. Com isso, Petrobrás ON e PN tiveram queda de 3,78% e de 4,06%, respectivamente. Já a alta do dólar alimentou as ações de empresas exportadoras, que se destacaram em alta. Fibria ON disparou 5,03%, beneficiada também pelo anúncio de reajuste de preços da celulose. Com o resultado de hoje, o Índice Bovespa terminou o mês contabilizando queda de 10,09%.

(Com Agência Estado e Reuters)

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