Dólar sobe ante real com ajustes no mercado futuro

O dólar fechou em alta contra o real nesta quinta-feira, com as atuações do Banco Central reforçando a percepção de escassez de moeda no mercado à vista em meio à intensificação na rolagem de contratos futuros, típica de final de mês.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

28 de abril de 2011 | 16h44

A moeda norte-americana subiu 0,76 por cento, a 1,583 real na venda. Na máxima, a taxa de câmbio chegou a ser negociada a 1,596 real na venda, mas perto do fechamento a pressão no mercado diminuiu, favorecendo uma alta menor.

"De tanto que o BC enxugou, o mercado está sentindo falta de pronto (dólar à vista)", afirmou Mario Paiva, analista de câmbio da BGC Liquidez. "E ainda tem a formação da Ptax, briga entre comprados e vendidos... Isso naturalmente já distorce o movimento", acrescentou.

A menor oferta de dólares no mercado intensificou-se desde que o governo endureceu o tom contra a escalada do real, que no ano já acumula valorização de 5,2 por cento. No início deste mês, por exemplo, o governo elevou a 6 por cento a alíquota para captações externas no prazo de até dois anos.

A entrada em vigor dos depósitos compulsórios sobre posições vendidas excedentes dos bancos em moeda estrangeira também tem limitado a oferta de dólares no "spot".

Além disso, o BC segue comprando dólares diariamente via mercado à vista --realizou dois leilões do tipo nesta sessão. Na noite da véspera, a autoridade anunciou pesquisa de demanda a ocorrer nesta sessão para eventual leilão de swap cambial reverso na sexta-feira.

"Com tudo isso, é natural o fluxo já não estar tão forte quanto antes", disse Paiva.

De acordo com os últimos dados da autoridade monetária, o fluxo cambial estava positivo em apenas 133 milhões de dólares em abril até o dia 20, após acumular nos três primeiros meses saldo positivo superior a 35 bilhões de dólares.

Para Alberto Orsovay, operador de câmbio da Hencorp Commcor Corretora, a rolagem de contratos futuros serviu como mais um componente para a alta do dólar nesta sessão, tendo seu efeito intensificado devido ao quadro de escassez de moeda.

"Também temos que considerar que o dólar estava muito barato, e quando atinge níveis muito baixos isso chama comprador", afirmou. Recentemente, a divisa norte-americana havia se aproximado das mínimas desde janeiro de 1999, logo após a mudança para um regime de câmbio flutuante no Brasil.

A valorização da taxa de câmbio nesta quinta-feira foi na contramão do desempenho do dólar no exterior, onde a percepção de que a recuperação dos Estados Unidos ainda necessita de estímulos derrubava a moeda à mínima em três anos frente a uma cesta de divisas.

Tudo o que sabemos sobre:
DOLARFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.