Marcelo Sayão/Reuters
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Dólar abre semana em alta com cautela em relação à cena política

Temor a respeito dos danos do vazamento de supostas conversas entre Sergio Moro e procuradores do Ministério Público (MP) levou investidores a comprar dólares

Silvana Rocha, Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 10h52

A segunda-feira, 10, começou com os investidores comprando dólares no mercado de câmbio, temendo os danos do vazamento de supostas conversas entre o então juiz da operação Lava Jato, agora ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores do Ministério Público (MP).

Mas o movimento perdeu força e a moeda americana reduziu a alta e passou a tarde operando perto da estabilidade, com a visão nas mesas de que as reformas econômicas de Jair Bolsonaro podem não ser comprometidas e a Previdência vai avançar. O dólar à vista fechou em leve alta de 0,18%, a R$ 3,8838. 

O volume de negócios foi fraco nesta segunda-feira, 30% abaixo de um dia normal, segundo operadores, por conta do calendário esvaziado de eventos desta segunda-feira e a expectativa pela agenda dos próximos dias.

Os dois mais aguardados são nesta terça-feira, 11, com a votação do pedido de crédito suplementar do governo, e na quinta-feira, 13, a apresentação do relatório da comissão especial sobre a reforma da Previdência. Na máxima, pela manhã, a moeda americana chegou bem perto dos R$ 3,90 (R$ 3,8994). 

O exterior positivo, com alta das bolsas em Nova York, e queda do dólar ante alguns emergentes, como México, Turquia e África do Sul, também contribuiu para reduzir a valorização da moeda americana aqui. O dólar, porém, subiu ante divisas fortes. 

No exterior, o acordo comercial entre o México e a Casa Branca e a possibilidade de avanço nas conversas de Washington com a China ajudaram a elevar a procura por rentabilidade em emergentes. ''O anúncio do acordo apoiou a busca por ativos de risco", afirmam os estrategistas do grupo financeiro holandês ING. "O acordo aumenta a expectativa de que o presidente Donald Trump e o chinês Xi Jinping possam encontrar espaço para diálogo na reunião do G-20 no Japão."

Bolsa

Ruídos do cenário político doméstico também afetaram o desempenho do Índice Bovespa e o indicador oscilou em terreno negativo durante praticamente todo o pregão, na contramão das bolsas de Nova York.

O adiamento da apresentação do relatório da reforma da Previdência e a possível flexibilização da regra de transição trouxeram dúvidas ao mercado, que anteviu risco de desidratação da proposta inicial do governo.  

Depois de ter caído mais de 1% pela manhã, o Ibovespa reduziu o ritmo ao longo da tarde e chegou a flertar com uma recuperação. No final do dia, marcou queda de 0,36%, aos 97.466,69 pontos. 

As bolsas de Nova York repercutiram o acordo dos Estados Unidos com o México. Mas o dólar mais forte derrubou os preços do petróleo no mercado internacional, o que acabou por influenciar negativamente as ações da Petrobrás.

A commodity ainda ampliou as perdas no período da tarde, com os investidores cautelosos com a notícia da queda de um helicóptero sobre um prédio em Nova York. Ao final do pregão, Petrobrás ON e PN tiveram perdas de 1,68% e 0,41%, contribuindo para a queda do Ibovespa.

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