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Dólar sobe pelo 3º dia e fecha a R$ 3,30 com cautela dos investidores e ação do Banco Central

Moeda norte-americana subiu mais de 1%, enquanto a Bovespa recuou 1,40%

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 10h13

O dólar subiu pela terceira sessão consecutiva ante o real, refletindo temores associados às consequências da separação entre o Reino Unido e a União Europeia (Brexit). A moeda fechou em alta de 1,11% e voltou à casa dos R$ 3,30 nesta terça-feira. Dois fatores incomodam os investidores globais em razão da esperada desaceleração econômica europeia: a saúde dos bancos na região, sobretudo os italianos, e um movimento de fuga de capitais do Reino Unido. Internamente, as perspectivas de novas atuações do Banco Central, após o terceiro leilão de swap cambial reverso hoje, também apoiaram o viés positivo, de acordo com profissionais de câmbio.

O economista-chefe da Guide Investimentos, Ignácio Crespo Rey, disse que o dólar subiu ante o real, mas sua valorização foi maior ante outras divisas emergentes devido à aversão ao risco global. Segundo ele, com o possível enfraquecimento econômico na Europa em razão do Brexit, são esperadas novas medidas do Banco Central Europeu (BCE) para estimular a economia, como eventual corte de juros, o que poderia agravar a saúde de instituições financeiras.

No Reino Unido, chamou atenção as perspectivas negativas para o setor imobiliário. Em menos de 24 horas, três fundos imobiliários já suspenderam resgates no Reino Unido, temendo fuga de capitais. Ao todo, nesses três fundos, há 9,1 bilhões de libras - cerca de R$ 39 bilhões - com saque bloqueado. A instabilidade no ambiente internacional também foi reforçada pela forte queda dos preços de petróleo, o que pesou na Bovespa e nos mercados acionários da Europa e Nova York.

Internamente, a alta do dólar se apoiou ainda na expectativa de que o Banco Central deve anunciar novos leilões de swap cambial reverso para defender o nível da divisa norte-americana. Em três dias seguidos de atuação, a autoridade negociou 30 mil contratos oferecidos, equivalentes a US$ 1,5 bilhão no período. O volume disponibilizado por leilão, no entanto, é bem inferior ao montante médio leiloado quando Alexandre Tombini chefiava o Banco Central, indicando uma nova postura da autarquia.

"O BC está menos intervencionista, uma vez que tem atuado apenas para sinalizar ao mercado que está vigilante e não permitirá uma queda muito abrupta do dólar", disse o operador de uma corretora. "Mas a instituição ainda tem bastante munição e indica que não tem medo de usá-la. Não vou ficar surpreso se o dólar voltar a R$ 3,40 ou R$ 3,50", acrescentou Crespo Rey.

O Banco Central ainda possui US$ 60,635 bilhões em contratos de swap cambial tradicional que podem ser revertidos para evitar um enfraquecimento do dólar. Em sabatina no Congresso, os novos diretores do BC alinharam o discurso e defenderam o regime de câmbio flutuante, mas deixaram claro que a autarquia pode atuar e a flutuação não deve ser "totalmente limpa".

Outro ponto de receio no Brasil é a meta fiscal de 2017. De acordo com Crepo Rey, há especulações de que poderá ficar mais perto de um déficit de US$ 170 bilhões por conta de pressão política. A possibilidade de alta de impostos, admitida hoje pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é uma questão de tempo, segundo o economista da Guide, mas a expectativa é que seja anunciada depois de agosto, se Michel Temer deixar ser interino e se tornar presidente do País.

Bolsa. Depois de uma sequência de cinco altas consecutivas, a Bovespa sucumbiu diante do mau humor do mercado internacional e fechou em queda de 1,38%, aos 51.842,27 pontos. Temerosos quanto aos efeitos negativos do Brexit na economia europeia e global, investidores migraram para ativos seguros, como o dólar e os "treasuries", títulos do Tesouro americano. A queda dos preços do petróleo e as incertezas com o cenário brasileiro também contribuíram para a correção nos preços das ações.

O Índice Bovespa havia acumulado valorização de 6,75% nos últimos cinco pregões e os operadores já consideravam que uma correção era iminente. A deterioração do cenário internacional, portanto, concretizou esse ajuste. Na mínima do dia, pouco antes das 15h, o Ibovespa chegou a cair 2,01% (51.510 pontos). Naquele momento, os mercados repercutiam a notícia de que o fundo imobiliário M&G Investment, braço da seguradora Prudential, com carteira de 4,4 bilhões de libras, suspendeu as negociações com aquele país. Esse foi o terceiro grande fundo de investimento imobiliário a tomar essa medida em dois dias. Desde a vitória do Brexit, há registros de queda do valor das cotas dos fundos e aumento dos saques. 

O petróleo foi importante variável nesta sessão de negócios. A commodity caiu 4,88% no vencimento de agosto da Nymex e 4,27% no vencimento de setembro da Ice. Além da aversão ao risco, o petróleo também reagiu ao aumento de estoques nos Estados Unidos. Como consequência, as ações da Petrobras estiveram entre as maiores quedas do Ibovespa durante todo o pregão. No fechamento, Petrobrás ON e PN computaram perdas de 5,66% (ON) e de 5,88% (PN)./COM AGÊNCIA  REUTERS

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