Drew Angerer/Getty Images - 1/5/2019
Drew Angerer/Getty Images - 1/5/2019

Cenário externo e cautela com Previdência fazem dólar encostar em R$ 3,96

No mercado de ações, o Ibovespa caiu 0,86%; declarações durante o feriado do presidente do Federal Reserve, nos Estados Unidos, e do deputado Paulinho da Força pressionaram ativos nesta quinta-feira

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 11h59
Atualizado 02 de maio de 2019 | 18h35

O real foi uma das moedas que mais perdeu valor nesta quinta-feira, 2, ante a divisa americana, com o mercado local repercutindo a reunião de quarta-feira do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O presidente da instituição, Jerome Powell, sinalizou que não há corte de juros no radar e frustrou investidores no mercado financeiro mundial.

O dólar à vista terminou o dia em alta de 0,98%, a R$ 3,9596. No mercado de ações, o Ibovespa operou em terreno negativo desde a abertura, fechando o dia aos 95.527,62 pontos, com baixa de 0,86%.

Dólar

As mesas de operação monitoraram ainda os desdobramentos da reforma da Previdência, mas o assunto só deve ganhar força na semana que vem, quando começam os trabalhos da comissão especial que vai analisar as medidas que alteram as aposentadorias.

Sem maiores novidades, causaram certo desconforto as declarações de quarta-feira do deputado Paulo Pereira da Silva (SD), o Paulinho da Força. Ele afirmou que os partidos que compõem o Centrão devem conversar para aprovar uma reforma mais desidratada, que não garanta a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, rebateu e disse que vai trabalhar para economia fiscal de R$ 1 trilhão, como quer o governo. Pela manhã, o dólar chegou a superar os R$ 3,97 e, na parte da tarde, desacelerou o ritmo de alta e operou a maior parte do tempo na casa dos R$ 3,95.

Pesquisa do banco americano Citi com clientes aponta que cresceu a visão entre os agentes de que a economia fiscal da reforma deve ficar entre R$ 500 bilhões a R$ 750 bilhões. Além disso, a expectativa é de aprovação na Câmara apenas no terceiro trimestre ou mesmo mais tarde, aponta relatório do banco nesta quinta-feira. 

Para a economista e estrategista de câmbio da Ourinvest, Fernanda Consorte, se o momento estivesse mais favorável para a Previdência, o impacto da reunião do Fed poderia ser menor. A tramitação das medidas no Congresso tem causado mais tensão do que o inicialmente esperado, porque o governo tem mostrado falta de articulação política, disse ela. Por isso o dólar tem se mantido acima do nível de R$ 3,90, com os investidores precificando uma aprovação mais difícil e com menor economia fiscal da Previdência. No caso desta quinta-feira, ela avalia que o fator principal a influenciar o câmbio foi o Fed.   

Com o Fed se mostrando menos inclinado a diminuir a taxa de juros, o dólar seguiu em alta nesta quinta-feira ante divisas fortes e de emergentes. "As declarações de Powell na entrevista foram contra a ideia de que o Fed estaria contemplando um 'corte preventivo' nos juros para estimular a inflação", avalia o economista do JPMorgan, Michael Feroli, em relatório. Para ele, este ponto ficou evidente quando o dirigente ressaltou que a inflação está fraca nos EUA por conta de fatores "transitórios".

Bolsa

O índice Bovespa iniciou o mês de maio registrando queda moderada, que resultou da combinação entre os ajustes técnicos em consequência do feriado da véspera e a cautela de sempre em torno da reforma da Previdência.

O fator com maior peso sobre o índice foi a reação global à fala do presidente do Fed acerca do ritmo da economia americana e a inflação no país. Ao indicar na quarta-feira que a inflação em baixa nos Estados Unidos pode estar relacionada a fatores transitórios, o presidente do Fed frustrou expectativas de redução de juros no país. O sinal é negativo para os mercados de ações no mundo inteiro, que seriam beneficiados por uma eventual redução nos rendimentos em renda fixa nos EUA. 

Como resultado, as bolsas de Nova York caíram e arrastaram com elas os ADRs brasileiros. A rodada de perdas em Wall Street se repetiu, tendo como agravante as informações de que as negociações comerciais entre EUA e China estariam em um ponto de impasse. 

Na análise por ações, um dos destaques negativos foram os papéis da Petrobrás, que tiveram baixas de 1,50% (ON) e de 1,40% (PN), alinhados à forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional. As cotações da commodity caíram entre 2% e 3% ainda influenciadas pela disparada nos estoques do óleo nos Estados Unidos e pelas tensões decorrentes das sanções americanas ao petróleo iraniano.

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