Dólar sobe com saída de recursos e queda nas bolsas

Fluxo ajudou a pressionar cotações, apesar de ter sido registrada entrada de recursos estimada em US$ 600 mi

Silvana Rocha, Da Agência Estado

13 de janeiro de 2009 | 17h39

O dólar no mercado à vista sustentou-se em alta pelo segundo dia consecutivo, e fechou cotado a R$ 2,328 (1,48%) no balcão e a R$ 2,3265 (1,33%) na BM&F. O fluxo cambial foi negativo e ajudou a pressionar as cotações, apesar de ter sido registrada uma entrada de recursos estimada em cerca de US$ 600 milhões e com liquidação pela ptax, disse um operador de um banco estrangeiro. Do lado externo, a recuperação momentânea dos preços do petróleo e de outras commodities no início da tarde não foi suficiente para uma melhora consistente das bolsas norte-americanas e o dólar manteve os ganhos em relação ao euro, a libra e o iene, entre outras moedas. Diante de um cenário econômico global deprimente, os investidores domésticos voltaram a defender suas posições compradas em dólar futuro, o que também amparou as cotações à vista.  Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   Com isso, o volume de negócios melhorou. O giro total à vista cresceu 89% ante o da véspera, para cerca de US$ 3,608 bilhões (US$ 3,381 bilhões em D+2). No mercado de dólar futuro da BM&F até às 16h15, o volume movimentado aumentou 22%, para cerca de US$ 10,291 bilhões. Os cinco vencimentos transacionados projetaram cotações mais altas. O dólar fevereiro09, que concentrou US$ 10,030 bilhões desse total, indicou nesse horário valorização de 1,35%, a R$ 2,339. A valorização da divisa americana ante o real chegou a diminuir no início da tarde, quando o pronto bateu a mínima intraday de R$ 2,296 (+0,09%). Essa desaceleração pontual refletiu em parte um alívio na liquidez, após o BC vender US$ 500 milhões para recompra futura no mercado no fim da manhã. Além disso, teria ocorrido um movimento especulativo no mercado futuro, provavelmente de players titulares do fluxo positivo, a fim de tentar enfraquecer as cotações e, por tabela, o dólar spot com vistas à formação de uma taxa ptax mais fraca. Quanto menor o valor da ptax maior o ganho desses players, que internalizaram o fluxo cambial, justificou uma fonte de um banco nacional. Passado esse efeito, a moeda à vista recuperou os ganhos. A resistência das cotações acima dos R$ 2,30, a retomada da queda do petróleo e provavelmente algum fluxo negativo pontual levaram o Banco Central a fazer um outro leilão, desta vez de venda direta de moeda. "O BC deve ter identificado algum fluxo negativo pontual", disse o operador de câmbio José Roberto Carreira, da Fair Corretora. Nessa operação, a autoridade monetária pode ter vendido cerca de US$ 300 milhões, estimou um profissional de tesouraria de uma instituição local. A taxa de corte foi de R$ 2,3038, inferior ao preço do dólar balcão no momento do leilão, de R$ 2,3080 (+0,61%) e também logo após a operação, quando a cotação à vista desacelerou para R$ 2,3050 (+0,48%). Na operação de venda com recompra futura, realizada no início da tarde, o BC vendeu US$ 500 milhões, que serão recomprados pela autoridade monetária no vencimento mais longo, em 4 de maio de 2009. Foram aceitas três propostas. A moeda foi vendida aos bancos por R$ 2,3270 e a taxa máxima de recompra ficou em R$ 2,394868. A liquidação da venda acontece nesta quinta-feira (15). Não foram aceitas propostas para a recompra dos dólares nos vencimentos mais curtos, em 2 de março de 2009 e 1º de abril de 2009.  E para amanhã, o BC já anunciou outro leilão voltado a exportadores. Neste caso, o Banco Central oferecerá até US$ 1,5 bilhão destinados ao crédito à exportação, operação em que contratos de financiamento ao comércio exportador, como o ACC e ACE, poderão ser entregues como garantia. Segundo comunicado, os dólares serão repassados aos bancos em 17 de fevereiro de 2009 e deverão ser devolvidos à autoridade monetária em 11 de fevereiro de 2010. Os dólares serão vendidos pela taxa Ptax das 11h desta quarta-feira. No leilão, as propostas deverão ser feitas na forma de taxa de juro acrescida da Libor, referência no mercado financeiro de Londres, e devem ser entregues das 11h30 às 12h. A liquidação financeira desta operação será feita em 16 de janeiro. No exterior, após abandonar a queda no início da tarde amparado por declarações recentes de membros da Opep sobre a possibilidade de um terceiro corte da quota de produção, o contrato de petróleo para fevereiro em Nova York voltou a recuar. A pressão de baixa refletiu perspectivas de redução da demanda por causa da desaceleração da economia global e expectativa de que os dados que serão divulgados pelo Departamento de Energia dos EUA amanhã revelarão um aumento nos estoques da commodity no País. Em Nova York às 17h21, o petróleo para fevereiro na sessão eletrônica caía 1,65%, a US$ 36,98 o barril. Nesse horário, o Dow Jones caía 0,78%; o Nasdaq, -0,37%; e o S&P500, -0,53%. O euro recuava a US$ 1,3167, de US$ 1,3330 ontem; a libra cedia a US$ 1,44870, de US$ 1,47720 na véspera; e o dólar recuava a 89,15 ienes, de 89,30 ienes ontem.

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