Dólar sobe com tombo da produção industrial

A moeda iniciou a sessão cotada a R$ 2,236 (+0,27%) e atingiu R$ 2,247 a máxima (+0,76%) 

02 de julho de 2013 | 10h42

O tombo de 2% da produção industrial brasileira em maio ante abril reforça a cautela dos investidores neste início da sessão do mercado de câmbio interno. Neste ano até maio, a produção industrial subiu 1,7% mas, em 12 meses até maio, caiu 0,52%. O dado veio pior do que as projeções do mercado, entre -1,70% e zero, com mediana de -1,00%.

O quadro econômico externo incerto favoreceu também o alinhamento do câmbio doméstico à valorização da moeda norte-americana no exterior, disse um operador de um banco.

O dólar à vista começou a sessão cotado a R$ 2,2360 (+0,27%) no balcão e, até 9h37, atingiu uma máxima, a R$ 2,2470 (+0,76%).

No mercado futuro, no horário acima, o contrato de dólar com vencimento em agosto de 2013 subia a R$ 2,2585 (+0,67%), após testar uma máxima, de R$ 2,2615 (+0,80%). A mínima ficou em R$ 2,2475 (+0,18%). Esse vencimento abriu a sessão cotado a R$ 2,250 (+0,29%).

Lá fora, o clima de aversão ao risco prevalece hoje em meio à volta das preocupações com a Europa, o controle informal do crédito na China e as dúvidas sobre as mudanças na política monetária dos Estados Unidos, segundo operadores de bancos e corretora ouvidos pelo Braodcast.

Com a produção industrial interna bem pior do que as projeções do mercado, a expectativa é de uma nova onda de revisões para baixo das estimativas de crescimento do PIB e para o fluxo da balança comercial do País, disse um operador de um banco. Por isso, segundo ele, os juros futuros e o dólar voltam a ser pressionados. Mas os agentes de câmbio estão cientes de que, se houver uma volatilidade exagerada, o Banco Central tende a intervir, afirmou a fonte.

A cautela também deve pautar as decisões de negócios hoje porque os investidores em âmbito global estão na expectativa pelos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Amanhã saem os números de emprego do setor privado em junho e, na sexta-feira, os resultados sobre a criação de vagas (payroll) e a taxa de desemprego oficial do País também do mês passado.

No meio do caminho, na quinta-feira, quando os Estados Unidos têm feriado pelo dia da Independência, as atenções se voltarão novamente para a Europa. O Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra terão reuniões de política monetária e há muita especulação se essas autoridades vão oferecer novos estímulos à economia.

Nesta terça-feira, a agenda de indicadores dos EUA traz como destaque o índice ISM de condições empresariais de Nova York referente a junho (10h45) e os dados de encomendas à indústria em maio (11h). Também haverá os discursos de dois membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve. O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, discursa no Conselho Empresarial do Condado de Fairfield, às 13h30. O membro da diretoria do Fed Jerome Powell fala às 18h45 sobre reforma da regulamentação financeira internacional, em Nova York, durante um evento com autoridades do banco central da Alemanha (Bundesbank).

No Brasil, a balança comercial encerrou junho com superávit de US$ 2,394 bilhões. As exportações foram de US$ 21,227 bilhões e as importações, de US$ 18,833 bilhões. Contudo, no primeiro semestre deste ano, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 3 bilhões, sendo que desde 2001 não era registrado um resultado negativo para a balança comercial nos primeiros seis meses do ano. O déficit comercial no semestre foi o pior desde 1995, quando ficou em US$ 4,227 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

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