Dólar sobe de novo e vai a R$ 1,569

Moeda americana já ganhou mais de 2% depois que o governo adotou novas medidas para conter alta do real

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

O dólar voltou a se valorizar ante o real ontem, dia seguinte ao anúncio de novas medidas do governo para tentar conter a alta da moeda brasileira. A moeda americana fechou cotada a R$ 1,569. Considerando a quarta e a quinta-feira, o avanço sobre o real superou 2%. Além de efeito no mercado, a ação do governo continuou provocando polêmica.

Alguns especialistas avaliam que o maior poder do Conselho Monetário Nacional (CMN) na definição de regras para o mercado futuro de câmbio é um exagero. Pela medida, o CMN poderá, por exemplo, elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em algumas transações com derivativos até um limite de 25%. De início, a alíquota de 1% vai valer para quem apostar na valorização do real.

A incidência é sobre a movimentação nesse mercado a contar da data da publicação da medida. Exemplo prático: se uma empresa, investidor ou banco apostava R$ 10 milhões na valorização do real no dia 27 de julho e alterou essa posição para, por hipótese, R$ 15 milhões, terá de pagar 1% sobre R$ 5 milhões. No caso do exemplo, R$ 50 mil.

"O governo agora tem um canhão nas mãos", definiu uma fonte de mercado. Caso o CMN decida elevar a alíquota para 25%, a mesma operação do exemplo iria produzir um imposto total de R$ 1,25 milhão. Ou seja, a tornaria praticamente inviável.

Embora favorável à ação do governo, o diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme, reconhece que o fortalecimento do CMN nesse campo "acabou com a autorregulação" do mercado. Em outras palavras, o governo passou a ter poder sobre um segmento da economia que ficava nas mãos do setor privado, no caso, a BM&FBovespa.

Para Nehme, o governo acertou porque a cotação do dólar tem sido realmente definida no mercado futuro. Ele lembra que, do início do ano para cá, o fluxo cambial foi positivo em cerca de US$ 50 bilhões. "Desse montante, o Banco Central (BC) comprou quase US$ 41 bilhões. Outros US$ 9 bilhões foram absorvidos pelos bancos, que, com isso, reduziram suas posições vendidas no mercado", disse. "Ou seja, pelo fluxo, não há justificativa para tanta valorização do real."

Sem poupança. O professor do Insper Alexandre Chaia é outro que avalia que o governo "pegou pesado" com as medidas. Mas observa que, a médio e logo prazos, não vai funcionar. Ele toma por base o fato de que o Brasil vai precisar, nos próximos anos, de pesados investimentos. Argumenta que grande parte desse montante virá do exterior.

Chaia cita números do próprio governo, segundo os quais o País terá de importar anualmente cerca de US$ 100 bilhões nos próximos anos para contribuir com os investimentos necessários para manter a trajetória de crescimento econômico.

"Não temos poupança interna suficiente para bancar todo o investimento necessário. A saída é importar capital de fora", afirmou. "E isso valoriza o real."

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