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Investidores ficam de olho em cenário político e dólar fecha em R$ 3,50

Moeda americana reagiu a declarações do ministro Gilmar Mendes sobre impugnação de Dilma Rousseff e a fatores externos

Luciana Antonello Xavier e Silvana Rocha, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 11h55

Atualizado às 17h23

SÃO PAULO - A cautela do investidor diante do exterior e do cenário político doméstico conturbado conduziu o dólar novamente ao patamar dos R$ 3,50. Em um dia de liquidez reduzida, a moeda norte-americana fechou hoje cotada a R$ 3,508 no mercado à vista, com valorização de 1,01% frente ao real. A desvalorização do yuan chinês pela terceira sessão consecutiva voltou a pressionar para baixo as moedas de países emergentes e exportadores de commodities ao redor do mundo. Com isso, o dólar já iniciou o dia em alta no Brasil. 

A tendência foi reforçada após a divulgação de indicadores econômicos dos Estados Unidos, como os de vendas no varejo. Em julho, as vendas no país subiram 0,6%, dentro do esperado, mas o resultado de junho foi revisado para cima (de -0,3% para estabilidade). Os pedidos de seguro-desemprego naquele país permaneceram no nível mais baixo desde abril de 2000. Com os dados, os investidores reforçaram as apostas de que o Federal Reserve poderá voltar a elevar os juros da economia em breve. Além do dólar, as taxas dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, também reagiram com alta.

O cenário político nacional continuou a ser monitorado de perto, gerando momentos de estresse e volatilidade dos ativos. Pela manhã, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou o julgamento de um recurso apresentado pelo PSDB contra a rejeição de uma ação que pedia a impugnação do mandato da presidente Dilma Rousseff. 

O dólar atingiu as máximas do dia (R$ 3,529, +1,61%) com a notícia de que dois ministros (Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha) votaram a favor da análise do recurso, que havia sido arquivado em fevereiro pela ministra Maria Thereza de Assis Moura. A sessão de votações foi interrompida depois de um pedido de vista (mais tempo para decidir) do ministro José Fux, o que trouxe um alento ao mercado.

Também estiveram no radar a nova fase da Operação Lava-Jato e as movimentações do Palácio do Planalto em busca do fortalecimento da governabilidade. As farpas entre os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL), continuaram. Cunha minimizou as medidas da chamada "Agenda Brasil" e disse hoje que cabe a Renan procurá-lo para discuti-las. "Estou sempre aberto a qualquer diálogo. Não tenho que procurar ninguém para saber que proposta está sendo inventada. Quem está inventando é que deve procurar para explicar que proposta está aí e pedir apoio, se for o caso. Ou então, não precisa pedir apoio nenhum, é só mandar as propostas para cá", afirmou o presidente da Câmara.


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