José Patrício/ Estadão
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Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Dólar fecha em alta de 0,59%, a R$ 4,3912

Nas casas de câmbio, moeda americana é negociada próxima dos R$ 4,60; afetada pelo exterior, Bolsa tem forte queda

Altamiro Silva Junior e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 09h57
Atualizado 21 de fevereiro de 2020 | 15h48

O dólar teve novo dia de fortalecimento no mercado internacional em meio a preocupações com os efeitos do coronavírus na atividade e nas empresas e casos de morte pela gripe no Japão. No Brasil, a divisa fechou a R$ 4,3912, com valorização de 0,59%, em nova máxima histórica, a oitava somente em fevereiro. No dia, a moeda americana chegou até a encostar em R$ 4,40. No ano, o dólar já sobe 9,46%.

Apesar do nível recorde de fechamento, o real não foi a moeda com pior desempenho no mercado internacional. O dólar subiu 1,3% no México, 1,4% no Chile, 1% na Rússia e 0,85% na África do Sul. Mesmo em países desenvolvidos, a divisa teve ganhos, principalmente no Japão, de 0,70%. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de moedas fortes, registrou novo dia de expansão e chegou muito perto da marca psicológica de 100 pontos (99,910, na máxima do dia), atingida pela última vez há três anos.

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Descontrole total

A moeda americana ganha força porque a percepção é de que a economia americana vai seguir forte este ano, apesar dos efeitos no coronavírus no resto do mundo. No Japão, o temor de o país já estar em recessão vem pesando no iene, afirma Manimbo, da Western Union. Na zona do euro, indicadores da maior economia da região vêm decepcionando, completa ele.

Nos últimos dias, o mercado internacional de moedas tem passado por uma "quebra de correlação" que tem afetado várias divisas, incluindo o real, destaca um gestor de recursos. Ele menciona que o iene era sempre visto como uma moeda de proteção, mas nos últimos dias tem caído forte ante o dólar. Com isso, os investidores são obrigados a desmontar posições em outras moedas pelo mundo, pois a divisa japonesa era a contraparte de várias apostas, o iene era o hedge de apostas em locais mais arriscados, sobretudo nos emergentes. Só este mês, o dólar sobe 3,4% no Japão.

Bolsa

O Ibovespa encerrou com perdas de 1,66% e fechou aos 114.586,24 pontos. Com isso, apagou os ganhos anuais e agora marca retração de 0,92% no ano. O giro financeiro da sessão foi de R$ 25,4 bilhões.

O principal índice da B3 sucumbiu dos 116 mil pontos, do fechamento de quarta, para 114 mil pontos no pregão desta quinta-feira, 20, com os ventos externos que carregaram as incertezas sobre os reais impactos do surto de coronavírus sobre as empresas, principalmente as que têm plantas na China, também principal parceiro comercial do Brasil. Ao mesmo tempo, do ponto de vista local, os balanços divulgados vieram abaixo da mediana das expectativas do mercado e afetaram a disposição dos investidores para as compras.

Nesta quinta, o Banco Central reduziu a alíquota de recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, de 31% para 25% e também a parcela dos recolhimentos compulsórios considerados no Indicador de Liquidez de Curto Prazo (LCR) dos bancos. Ambas medidas representam liberação de R$ 135 bilhões que podem ser direcionados ao crédito, caso os bancos queiram fazer isso.

"A medida realmente fez com que se ligasse o sinal de alerta, no sentido de que, se o BC está adotando essa medida, é sinal de que os sinais mais fracos da economia podem ser relevantes", disse a analista.

Nem mesmo os papéis de primeira linha dos bancos responderam ao estímulo e passaram o dia em queda. Bradesco PN fechou em queda de 1,44% e Banco do Brasil ON em baixa de 1,03%.

 

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