Paulo Vitor/Estadão
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Dólar sobe 1% e fecha cotado a R$ 3,33

Banco Central fez intervenção pelo quarto dia seguido; no exterior, Brexit ainda gera mau humor nos principais mercados financeiros

Lucas Hirata, Silvana Rocha, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 11h29

O dólar subiu ante o real, pela quarta sessão seguida, apesar da queda da divisa norte-americana no exterior. Os profissionais do mercado apontaram que o câmbio doméstico destoou da movimentação lá fora por causa de incertezas em torno da meta fiscal do governo para 2017. Também foram embutidos no preço a persistente expectativa de novos leilões de swap cambial reverso e preocupações sobre os efeitos do Brexit na economia global. A moeda fechou em alta de 1,00%, ao R$ 3,3357, acumulando ganho de 3,90% em julho.

Se a meta fiscal de 2017, que deve ser anunciada na quinta-feira, 7, for de um déficit superior a R$ 150 bilhões, o anúncio pode representar uma derrota para a equipe econômica do presidente em exercício, Michel Temer, afirmou o gerente de mesa de derivativos de uma corretora. "Isso soaria mal. E se ficar em R$ 170 bilhões, será pior ainda", apontou a fonte. "O mercado já está precificando esse possível déficit pesado", acrescentou.

As atuações do Banco Central, com quatro leilões de swap cambial reverso em julho, também têm sustentado a alta do dólar. Amanhã, o BC faz o quinto leilão, com oferta de mais 10 mil contratos (cerca de US$ 500 mil) para dois vencimentos . O BC ainda carrega um estoque de US$ 60,135 bilhões em contratos tradicionais de swap que podem ser revertidos para sustentar a divisa dos EUA. Comenta-se no mercado que o dólar pode chegar perto de R$ 3,50, nível semelhante ao observado quando Ilan Goldfajn assumiu a instituição. No entanto, qualquer projeção para o câmbio no curto prazo ainda é apontada como incerta.

Há a leitura entre parte dos agentes do mercado de que o fluxo de recursos no Brasil deve ficar positivo nos próximos meses, principalmente após a conclusão do processo de impeachment. Na visão do diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, caso esse movimento se concretize, o dólar pode recuar para cerca de R$ 3,10. "O BC consegue reduzir um pouco o movimento agressivo de queda com swap cambial reverso, mas a direção é para baixo", apontou o especialista. Para ele, o dólar deve se fortalecer mais para o final do ano com um possível corte da Selic ou elevação de juros nos EUA. 

Bolsa. Depois de ter caído até 1,96%, o Índice Bovespa inverteu a tendência nos últimos minutos de negociação e fechou em alta de 0,11%, aos 51.901,80 pontos. A recuperação das commodities e as altas das bolsas americanas foram determinantes para o desempenho positivo do mercado brasileiro, que permaneceu bastante atrelado ao cenário internacional. Os R$ 5,34 bilhões negociados na Bovespa mostram, no entanto, que a cautela diante das incertezas continua a retrair o investidor.

A virada da Bovespa começou a se desenhar mais nitidamente a partir da ata do Fed, às 15h, uma vez que a queda persistia mesmo em meio à valorização de ações de grande peso, como Petrobrás, Vale e siderúrgicas. As ações da Petrobrás subiram 3,09% (ON) e 2,26% (PN), enquanto Vale ON e PNA avançaram 1,43% e 2,25%, respectivamente. CSN ON (+5,23%) e Gerdau Metalúrgica PN (+2,48%) também reagiam positivamente antes das demais. 

A pressão contrária vinha em boa parte do setor financeiro, ainda bastante suscetível às incertezas em torno do Brexit, mas perdeu força após a ata do Fed. Ao final do pregão, Santander Unit subiu 0,33% e Itaú Unibanco avançou 0,39%. Ainda assim, Banco do Brasil ON (-0,24%) e Bradesco ON (-0,48%) não conseguiram se recuperar das quedas.

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