Dólar sobe espelhando aversão a risco e fraqueza de bolsa

O dólar acompanhou o aumento da aversão a risco em nível mundial e subiu ante o real nesta quarta-feira, numa sessão fraca por conta da proximidade do feriado de Corpus Christi.

REUTERS

10 de junho de 2009 | 16h54

A moeda norte-americana foi pressionada, no mercado doméstico, por um movimento global de valorização e pelo receio de eventual mudança na taxa básica de juros dos Estados Unidos.

O dólar avançou 0,67 por cento, cotado a 1,951 real para venda. No início do dia, a divisa norte-americana chegou a cair 0,57 por cento, mas reverteu a trajetória perto do encerramento dos negócios da manhã.

Ante uma cesta com as principais divisas globais, o dólar subia cerca de 0,6 por cento no final da tarde.

"O mercado abriu relativamente tranquilo, mas aí veio o assunto da possível mudança na política monetária dos Estados Unidos. Isso criou tensão", avaliou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

Segundo a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, o aumento do déficit fiscal norte-americano acendeu a preocupação sobre uma mudança na política monetária do Federal Reserve, antecipando uma alta na taxa de juros.

"A preocupação de que o Fed terá que aumentar a taxa e reduzir a injeção de liquidez na economia diminiu o apetite dos investidores por ativos de maior risco", disse.

O Tesouro dos Estados Unidos anunciou que o país teve déficit orçamentário de 189,65 bilhões de dólares em maio, acima do previsto e perfazendo o oitavo mês seguido de saldo negativo.

O leilão de Treasuries de 10 anos refletiu a preocupação com o custo de financiamento do crescente déficit fiscal dos EUA. Os preços dos Treasuries caíram, elevando os rendimentos para 4 por cento pela primeira vez em oito meses.

Os sintomas de aumento da aversão a risco eram reverberados pelas bolsas de valores de Nova York, que caíam no final da tarde por preocupações de que uma elevação do juro possa frear os gastos de consumidores.

Os índices em Wall Street cediam em torno de 0,5 por cento, enquanto o principal índice da bolsa paulista marcava baixa de 0,3 por cento.

FLUXO CAMBIAL

O Banco Central divulgou o fluxo cambial da primeira semana de junho, período em que as entradas de recursos superaram as saídas em 550 milhões de dólares.

Isso resultou de saldo positivo nas operações comerciais de 670 milhões de dólares e negativo nas transações financeiras em 120 milhões de dólares.

Em maio, o fluxo cambial havia ficado positivo em 3,134 bilhões de dólares. No ano, o país acumula entrada líquida de 2,140 bilhões de dólares.

Miriam, da AGK Corretora, destacou que o fluxo cambial refletiu uma pausa nas aplicações dos investidores estrangeiros em bolsa. "Houve uma pausa nas compras dos investidores estrangeiros em bolsa, que só deve voltar a subir com mais força com novas notícias positivas."

O BC também informou a compra de 589 milhões de dólares no mercado à vista por intermédio de leilões diários neste mês, até o dia 3 (operações liquidadas até o dia 5). O volume é superior à entrada líquida de dólares no país no mesmo período, que somou apenas 16 milhões de dólares.

De acordo com os números mais recentes da BMF Bovespa, o volume de dólar negociado no segmento à vista era de pouco mais de 1 bilhão de dólares.

(Reportagem de José de Castro, Jenifer Corrêa e Silvia Rosa)

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