Dólar sobe mesmo com medida para conter a alta

Mesmo com a mudança de regras sobre o carregamento de posições compradas em dólar, anunciada anteontem, o mercado de câmbio não mostrou fôlego para inverter a tendência das cotações. A queda de 0,13% registrada ontem no dólar à vista foi pequena perante a alteração feita, segundo os próprios especialistas. Alguns afirmam que o impacto deve ser diluído pelos dias que o mercado ainda tem para se ajustar à nova regra (de passar a necessidade de capital de 50% para 75% da posição mantida em dólar). Outros afirmam que os bancos que não estavam ajustados têm pouca expressividade no mercado à vista e, portanto, o impacto seria mesmo limitado.Na abertura dos negócios hoje, às 10h04, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,8300, em alta de 2,68% em relação ao fechamento de ontem, apontando para a retomada forte da alta. (Para ver quanto está o dólar, clique aqui.)Já no mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 20,730% ao ano, frente a 20,300% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda de 1,05%.Para o médio prazo, os analistas fazem coro de que a pressão de alta prevalecerá. Os fatores citados continuam sendo principalmente os vencimentos de dívida cambial, públicos e privados, que puxam a cotação pela demanda (quando a empresa compra dólar para honrar seu compromisso) e pelo interesse dos investidores em alcançar maiores lucros na hora de abandonar a posição em moeda estrangeira (quando o aplicador resolve não rolar os papéis públicos que mantém em carteira). Somente os vencimentos privados somam US$ 640 milhões na semana que vem, segundo cálculos do mercado. O vencimento público é de US$ 3,6 bilhões, no dia 17, e ontem, na segunda tentativa, o BC conseguiu rolar somente US$ 592 milhões.Além disso, o mercado externo segue mostrando comportamento negativo e cheio de incertezas. A variável interna de destaque para o mercado continua sendo a sucessão presidencial, mas o mercado está em compasso de espera quanto a esse assunto. Depois de verem Serra, o candidato do mercado, ir para o segundo turno, os investidores esperam que as novas composições sejam fechadas e que comecem a surgir novas pesquisas eleitorais. Por enquanto, o que pesa no quadro político é um dado negativo. Avaliando o resultado das eleições para o Congresso, o mercado conclui que nenhum dos possíveis presidentes - Lula e Serra - terá maioria, o que tornará a próxima gestão complicada, seja quem for o comandante dela.

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