Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar sobe para R$ 3,28 com queda do petróleo e cautela sobre quadro fiscal do País

Em dia de poucos negócios, investidores ficaram à espera de eventos importantes da semana; Bolsa recuou 0,23%

Silvana Rocha e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2016 | 18h08

O mercado de câmbio operou com giro pequeno e um viés de alta na maior parte da sessão. A demanda pela divisa americana foi estimulada pelo forte recuo do petróleo, a queda de moedas emergentes e preocupações com o quadro fiscal do País, segundo operadores de câmbio. No fechamento, o dólar subiu 0,91%, aos R$ 3,2885.

A fraca agenda diária também deixou os investidores em compasso de espera por eventos importantes da semana. Internamente, estão no radar a divulgação da ata da reunião do Copom da semana passada, amanhã, os dados fiscais do setor público consolidado (dia 29) e de arrecadação federal, ainda sem data marcada. Entre balanços, Vale, Natura, Santander, Bradesco divulgam seus resultados do segundo trimestre nesta semana. Lá fora, os destaques são os encontros de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira e do Banco do Japão (BoJ) na quinta e sexta, e ainda o PIB dos Estados Unidos, na sexta-feira, além de balanços da Apple, Facebook, Caterpillar, McDonald's, entre outros.

O economista Ignácio Crespo Rey, da Guide Investimentos, disse que os mercados operaram hoje com volumes fracos internamente e em Nova York. Há muita expectativa pela reunião do Fed na quarta e do BoJ na sexta-feira, disse ele. Sua percepção é de que os investidores trabalham com a possibilidade de alta de juro até o final do ano nos Estados Unidos. Por lá, alguns bancos não descartam que o Fed vai deixar as portas abertas para uma elevação em setembro, embora as previsões são de uma elevação no mínimo a partir de dezembro. 

Em relação ao ambiente fiscal, Crespo Rey acredita que, com a definição sobre o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff em agosto, o governo interino vai começar a discutir de forma mais intensa as reformas e a necessidade do ajuste fiscal. "Tirando o impeachment da frente, o tom poderá ficar mais duro e a entrevista hoje do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vai nesse sentido", comentou.

Em evento na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fijran), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que as "despesas vinculadas tornam o ajuste fiscal quase impossível". Além desse impasse, os agentes econômicos observam a possibilidade de Meirelles vir a anunciar um aumento de tributos. Ele avisou aos parlamentares hoje que, caso não seja aprovada a criação de um teto para gastos públicos, o País terá alta de impostos e juros elevados por longo tempo.

O operador José Carlos Amado, da Spinelli Corretora, disse que essas declarações causaram desconforto e, em um ambiente de giro baixo, favoreceram o viés de alta. 

Antevendo a possibilidade de aumento de tributos, uma fonte ouvida pelo Broadcast disse que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já se movimenta dentro e fora do governo para impedir a elevação da Cide que incide sobre os combustíveis.  Segundo a fonte, a preocupação de Ilan é de que, dependendo da alíquota da Cide, a contaminação para o IPCA poderá ser maior do que o estimado pelo mercado. Além disso, como boa parte das despesas do governo é corrigida pela inflação, o impacto negativo do aumento dessa contribuição nas contas públicas poderá custar mais do que a arrecadação com a elevação do tributo.

No exterior, os preços do petróleo aprofundaram as perdas durante à tarde, quando atingiram as mínimas em três meses. O recuo abaixo de US$ 45 por barril em Londres decorreu das preocupações com o excesso de oferta da commodity, sobretudo de derivados. No fechamento, o petróleo tipo Brent para setembro caiu 2,23%, aos US$ 44,67 por barril, em Londres. Em Nova York, o WTI para o mesmo mês recuava 2,56%, aos US$ 43,06 por barril.

Bolsa. A Bovespa começou a semana com uma leve realização de lucros, favorecida pelo desempenho negativo das bolsas americanas. O Índice Bovespa fechou em baixa de 0,23%, aos 56.872,72 pontos. Os investidores optaram por manter um tom cauteloso, com baixo volume de negócios, em meio à expectativa pela reunião do Federal Reserve e pelos resultados trimestrais das empresas brasileiras. 

No mercado doméstico, as ações da Petrobrás subiram mesmo com a queda das cotações do petróleo. Segundo operadores, o apetite pelas ações da estatal é mantido pela melhora das perspectivas para a empresa a partir da nova gestão. Ao final dos negócios, Petrobrás ON e PN avançaram 0,07% e 0,75%, respectivamente.

No pregão desta segunda-feira, o mercado reagiu aos resultados de Hypermarcas, divulgado no final da tarde de sexta-feira, e de Fibria, tornado público hoje pela manhã. Hypermarcas ON fechou em alta de 1,36%, após ter reportado alta de 59% no lucro líquido do segundo trimestre, que atingiu R$ 176,4 milhões. Já Fibria ON chegou a cair expressivamente pela manhã, após o lucro de R$ 745 milhões no mesmo período, abaixo do esperado pelo mercado. O papel acabou por se recuperar à tarde e fechou em alta de 1,16%.

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