Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar fecha a R$ 3,50 pela 1ª vez desde junho de 2016

Moeda já havia superado o patamar neste ano, mas isso aconteceu nas negociações feitas durante o dia; Bolsa fechou o último pregão de abril em queda de 0,38%, aos 86.115,49 pontos

Paula Dias e Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2018 | 17h52

O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, 30. Em um dia marcado por pouco movimento no mercado financeiro, entre um final de semana e o ferido de 1º de maio, a moeda americana atingiu o patamar de R$ 3,5042, uma valorização de 1,2%. Trata-se da primeira vez que a divisa alcança o teto de R$ 3,50 desde 3 de junho de 2016, quando fechou o dia em R$ 3,5252. O dólar já havia superado o patamar neste ano, mas isso aconteceu nas negociações feitas durante o dia. No mês de abril, a moeda acumulou uma valorização de 6,08% antes o real. No ano, a alta já é de 10,24%.

O motor dessa nova valorização do dólar veio basicamente do cenário externo. Nos Estados Unidos, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) teve alta de 2% em março, na comparação anual, e ficou estável ante o mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio. O PCE é a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que tem meta de inflação de 2% ao ano.

A importância de indicadores de inflação dos Estados Unidos cresce à medida que se aproxima a data da decisão de política monetária do Federal Reserve, marcada para esta quarta-feira, 2. Investidores esperam encontrar no comunicado da decisão do Fed algum indicativo dos próximos passos da autoridade monetária na condução dos juros locais. Quanto mais aumentos nos juros americanos houver este ano, mais os investidores migram para o mercado americano, o que tem influência direta em todo o mundo.

Segundo José Carlos Amado, operador da Spinelli Corretora, a semana “pré-Fed” deve ser marcada pela cautela do investidor. Isso porque, além da decisão de política monetária, está prevista também para esta semana a divulgação do relatório de empregos “payroll”, que trará dados do mercado de trabalho capazes de influenciar as decisões futuras do Fed. O dado sai na sexta-feira, dois dias depois da reunião do BC dos EUA. Na quarta-feira será conhecido o dado do setor privado, divulgado pela ADP, considerado uma espécie de prévia do payroll.

A chegada do dólar ao patamar dos R$ 3,50 trouxe de volta a mesas de operação as especulações em torno da possibilidade de o Banco Central atuar no mercado de câmbio. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, vem relembrando reiteradamente que a autoridade monetária tem mecanismos para conter distorções no mercado. Uma intervenção, dizem operadores, pode sinalizar o intervalo que o BC considere confortável para as cotações.

Bolsa. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista (B3),  chegou a ensaiar alta na abertura dos negócios de hoje, mas fechou o último pregão de abril em queda de 0,38%, aos 86.115,49 pontos. Mesmo assim, acumulou ganhos de 0,88% no mês e segue com rentabilidade de dois dígitos no ano, com valorização de 12,71%. Em dia de agenda fraca no mercado doméstico, a bolsa brasileira foi basicamente influenciada pelo cenário externo, principalmente as Bolsas em Nova York.

Na parte da tarde, o Ibovespa renovou mínimas, à medida que os índices em Nova York ampliavam as perdas, de acordo com operadores. As commodities em alta ajudaram a impedir uma queda maior da bolsa brasileira. O petróleo teve alta hoje e contribuiu para os ganhos das ações da Petrobrás, que subiram mais de 1%. A Vale também teve dia de valorização nesta segunda-feira.

O recuo dos papéis de grandes bancos, porém, impediu que o índice tivesse melhor desempenho. O papel do Bradesco cedeu 1,54% e o do Itaú perdeu 0,95% influenciados pelo mau humor externo. Por conta do pregão antes do feriado e vários investidores fora das mesas de operação, o volume de negócios foi um pouco mais fraco nesta segunda e somou R$ 7,5 bilhões, ante média de R$ 9 bilhões de pregões anteriores.

O analista da Lerosa Investimentos, Vitor Suzaki, destaca que o ambiente doméstico ficou em segundo plano por conta da agenda esvaziada, mas as atenções devem ser crescentes para o calendário eleitoral nas próximas semanas, sobretudo de investidores domésticos. Na agenda desta segunda-feira, dados das contas fiscais de março foram os destaques e seguiram mostrando piora das contas. Para Suzaki, a preocupação maior é como as contas do setor público ficarão a partir de 2019 e, por isso, a importância de quem vai ganhar as eleições.

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