Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Dólar sobe pelo 2º dia seguido e fecha a R$ 4

Dados positivos dos EUA e mal estar com a situação política do Brasil acabaram conduzindo os ganhos da moeda americana

Fabrício de Castro, Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2016 | 18h07
Atualizado 26 Fevereiro 2016 | 18h43

O dólar somou nesta sexta-feira, 26, a segunda sessão consecutiva de alta ante o real, encerrando a semana cotado a R$ 4,00. A moeda americana chegou a cair durante a manhã, com alguma pressão de investidores vendidos sobre as cotações, mas os dados positivos divulgados nos EUA acabaram conduzindo os ganhos do dólar no exterior e também no Brasil. Internamente, o mal estar com a política e fatores técnicos contribuíram para o avanço. O dólar terminou o dia em alta de 0,93%, aos R$ 4,0005. Na semana, houve desvalorização de 0,48%.

As primeiras cotações do dia indicavam um dólar no negativo. Isso era resultado de ajustes em baixa em relação ao fechamento de ontem, quando forte movimentação no mercado de cupom cambial acabou se refletindo na busca generalizada por dólares, em meio à percepção de que poderia estar ocorrendo uma grande saída de recursos.

Hoje pela manhã, no momento da primeira coleta da ptax, também foi percebida certa pressão de baixa para o dólar. Como na próxima segunda-feira ocorre a definição da ptax de fim de mês, alguns players vendidos em derivativos atuaram para reduzir as cotações, na visão de alguns profissionais.

O cenário começou a mudar a medida que saíam os dados dos Estados Unidos. O Produto Interno Bruto (PIB) subiu, na segunda leitura do indicador, 1,0% na taxa anualizada do quarto trimestre de 2015. Como a previsão do mercado era menor, de 0,4%, o resultado fez crescerem as avaliações de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode ter espaço para continuar seu processo de alta de juros. A reação imediata foi de alta para o dólar ante várias divisas e avanço do yield dos Treasuries.

No Brasil, o dólar ainda se segurou um pouco em baixa ante o real. Tanto que marcou a mínima de R$ 3,9313 (-0,81%) às 10h35, quando os números do PIB já estavam nas mesas. Aos poucos, porém, a moeda foi se alinhando ao exterior, até que, à tarde, virou para o positivo e passou a renovar máximas. Alguns profissionais também citaram possível fluxo de saída de moeda para justificar o movimento. Além disso, seguia a percepção ruim sobre a política brasileira. O dólar à vista marcou a máxima de R$ 4,0176 (+1,36%) às 13h35. No fim do dia, estava em R$ 4,0005 (+0,93%). 

Bolsa. O Ibovespa, principal índice da BM&FBovespa, fechou o último dia da semana em terreno negativo, registrando o quarto dia consecutivo de queda. O volume baixo trouxe volatilidade ao índice que chegou a subir mais de 1% na abertura, mas com o PIB mais forte dos EUA e com dados domésticos ruins, perdeu força, inverteu o sinal no início da tarde para fechar com baixa de 0,70%, aos 41.593,08 pontos, e giro financeiro de R4 4,768 bilhões. O índice registrou máxima aos 42.495 pontos (+1,45%) e mínima aos 41.417 pontos (-1,13%). No mês, somou ganhos de 2,94% e, no ano, recuo 4,05%. As perdas acumuladas em quatro pregões praticamente anularam o ganho de 4,07% da segunda-feira e o índice fechou a semana com alta de 0,12%.

"O mercado acionário brasileiro está muito dependente do capital estrangeiro e hoje aparentemente eles não estiveram presentes nos negócios, e o investidor doméstico está bastante desestimulado com as notícias econômicas e políticas do País", explicou o gerente da área de análise da Planner Corretora, Mario Roberto Mariante.

"Fora isso, há um ajuste de carteiras por conta da proximidade do final do mês e algumas notícias corporativas negativas, como foi o caso de BRF hoje", ressaltou Mariante. BRF ON recuou 7,68% nesta sexta-feira.

A empresa apresentou seu resultado financeiro do quarto trimestre e de 2015 na manhã de hoje, que mostrou desaceleração nos volumes domésticos, e sinais de contração nas margens no mercado internacional. Entretanto, as mudanças na diretoria pesaram mais sobre os papéis da companhia. A diretora-geral de Operações no Brasil, Flávia Faugeres, deixou a companhia. Para sua função, entram o general manager de Vendas & Marketing, Rafael Ivanisk, e o de Planejamento & Distribuição, Leonardo Almeida Byrro. O atual diretor de Finanças e Relações com Investidores, Augusto Ribeiro Júnior, também saiu do cargo e será substituído por Alexandre Borges, atual general manager Latam, como vice-presidente de Finanças e Gestão. O fato também contaminou o desempenho das ações das outras empresas do setor: Minerva ON recuou 5,33%; JBS ON diminuiu 3,54% e Marfrig teve queda de 4,17%.

O desempenho de hoje do principal índice da BM&FBovespa ainda foi influenciado pelas blue chips, que, mesmo que não tenham sido destaque de baixas, operaram em terreno negativo, pressionando o Ibovespa. Com queda nos preços do petróleo no mercado internacional, Petrobrás PN diminuiu 0,41% e ON, 1,29%. Já Vale PNA recuou 0,86% e ON, 0,18%.

Mais conteúdo sobre:
Dólar Câmbio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.