Dólar sustenta piso de R$1,70 após breve rompimento

O dólar chegou a cair abaixo de 1,700 real nesta quarta-feira pela primeira vez no ano, acompanhando a tendência global de desvalorização da moeda norte-americana.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

29 de setembro de 2010 | 16h47

Mas, após o breve movimento, o mercado devolveu o dólar ao patamar visto nos últimos dias, "respeitando" o piso informal sinalizado pelo governo e marcado por barreiras técnicas no segmento de opções.

A moeda norte-americana fechou a 1,705 real, em queda de 0,29 por cento. É o menor patamar de fechamento desde 9 de novembro do ano passado.

Segundo a clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa, houve ao menos uma operação registrada a 1,6999 real, durante a manhã.

No exterior, o dólar teve mais uma jornada de baixa em meio à expectativa de que o Federal Reserve aumente a oferta de recursos na economia para estimular a recuperação do país. Às 16h40, o euro subia 0,4 por cento e superava 1,36 dólar pela primeira vez em cinco meses .

O que tem impedido o dólar de recuar com a mesma intensidade no Brasil, segundo profissionais de mercado, é a ameaça de que o governo tome medidas mais agressivas do que as compras diárias de dólares --embora, na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha descartado por ora alguma mudança na tributação do capital estrangeiro em ações e renda fixa.

Para o operador de câmbio de um banco dealer, que preferiu não ser identificado, outro motivo que inibe a baixa do dólar é a existência de barreiras no mercado de opções abaixo de 1,70 real. Segundo ele, a breve queda do dólar aquém desse nível pode ter sido uma tentativa frustrada de alguns investidores para marcar posição.

Para os próximos dias, avalia Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora, a tendência é de que o mercado continue espremido perto do nível de 1,70 real.

Ele citou a reunião do G20 em novembro como um importante evento a ser monitorado, já que vários países têm reforçado as intervenções no câmbio. "Mas a pressão (no dólar), claro, é realmente para baixo", ponderou.

Mais cedo, dados do Banco Central mostraram que a entrada de capitais no país perdeu força após um pico causado pela capitalização da Petrobras. O fluxo positivo desacelerou na semana passada para 736 milhões de dólares, levando o resultado acumulado em setembro a 11,871 bilhões de dólares .

Tudo o que sabemos sobre:
DOLARFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.