Dólar tem 3a queda seguida por exterior, cai 2% na semana

O dólar confirmou a terceira baixa seguida frente ao real nesta sexta-feira, ancorado pelo tom positivo nas principais praças acionárias e pela desvalorização da moeda no cenário internacional, em meio a um ambiente de menor aversão a risco.

REUTERS

04 de setembro de 2009 | 19h04

Também colaborou para a baixa nas cotações um leve fluxo positivo, segundo operadores.

No encerramento, a moeda norte-americana caiu 1,29 por cento, a 1,842 real na venda, maior queda percentual diária desde o início de agosto. Considerando a semana, a divisa depreciou-se 2,02 por cento.

"Os investidores estão bem mais 'tranquilos' hoje. Os dados do emprego nos EUA ajudaram a reduzir a apreensão. Isso favoreceu a queda do dólar", considerou o gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo.

A notícia de que os empregadores norte-americanos fecharam 216 mil postos de trabalho em agosto, menos que o esperado, serviu de motivo para o bom humor de investidores, embora a taxa de desemprego tenha subido a 9,7 por cento, maior patamar em 26 anos.

Analistas previam que os cortes caíssem para 225 mil em agosto e a taxa de desemprego subisse para 9,5 por cento.

No final da tarde, os índices de ações em Wall Street operavam em alta, enquanto o Ibovespa avançava 1,4 por cento.

O corte menor de vagas nos Estados Unidos ajudava a reduzir a aversão a risco no mercado, colaborando para a queda de 0,37 por cento do dólar ante uma cesta com as principais divisas mundiais. A moeda norte-americana também recuava ante moedas de países emergentes, como o rublo russo e o peso mexicano.

Galhardo citou ainda a redução de posições compradas de investidores estrangeiros no mercado de câmbio futuro como mais um componente para a queda do dólar nesta sessão.

"As últimas altas (do dólar) que a gente viu ocorreram porque a incerteza havia tomado conta do mercado. O que tivemos hoje foi um ajuste nessas posições, o que também fez o dólar cair."

Segundo números da BM&FBovespa, na véspera, os não-residente sustentavam 3,588 bilhões de dólares em posições compradas em dólar futuro e cupom cambial (DDI), o que representa uma queda de 1,776 bilhão de dólares frente ao número do dia 1o deste mês.

As posições compradas refletem apostas na alta da moeda norte-americana.

Profissionais do mercado ressaltaram ainda o baixo volume de negócios nesta sessão, em parte devido aos feriados no Brasil (Dia da da Independência) e nos Estados Unidos (Dia do Trabalho) na segunda-feira.

De acordo com números disponibilizados no site da BM&FBovespa, o volume negociado no segmento interbancário somava 909 milhões de dólares às 16h19, em operações com liquidação em dois dias (D+2).

(Reportagem de José de Castro)

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