Dólar tem 4ª alta seguida diante de incertezas externas

Na semana, a moeda norte-americana teve valorização de 2,24%, no mês, de 5,25% e, no ano, a alta chega a 7,15%

SILVANA ROCHA, Agencia Estado

18 de novembro de 2011 | 17h15

O dólar no mercado à vista fechou em alta hoje pelo quarto dia consecutivo. Após ceder à mínima pela manhã de R$ 1,767 (-0,73%), o dólar à vista descolou-se da queda registrada no exterior no começo da tarde e fechou com alta de 0,17%, cotado a R$ 1,7830 no balcão - ainda o maior valor desde 20 de outubro (a R$ 1,7930). Na semana, a divisa teve valorização de 2,24%; no mês, sobe 5,25% e, no ano a alta chega a 7,15%. Na BM&F, o dólar à vista terminou com ganho de 0,03%, a R$ 1,7827. O avanço da moeda, porém, se deu com um giro financeiro bem inferior à média diária de negócios. Até 16h15, o Banco Central registrava um giro de US$ 1,2 bilhão em D+2, ou 36% menor que o dia anterior.

João Medeiros, diretor da Pionner Corretora, disse que o dólar aqui virou para o terreno positivo à tarde porque os investidores zeraram posições vendidas fechadas pela manhã, em operações de day trade. Diante de tantas incertezas lá fora, sobretudo na Europa, os agentes financeiros não se sentem confortáveis em passar o fim de semana descobertos, afirmou. Segundo ele, a cautela foi retomada, após uma manhã de relativo alívio, porque tanto as Bolsas pelo mundo quanto o segmento de moedas continuam voláteis, expressando a persistente aversão ao risco dos investidores.

Mais cedo, um clima ameno de negócios foi garantido por vários fatores: os yields dos bônus de Espanha e Itália recuaram das máximas atingidas hoje e nos últimos dias; nos Estados Unidos, o Senado e a Câmara aprovaram ontem à noite um projeto de lei destinando recursos para várias agências federais e evitando uma paralisação do governo; e houve também rumores de que o Banco Central Europeu (BCE) poderia emprestar dinheiro para o FMI, para que este financiasse pacotes de resgate para países problemáticos da zona do euro, uma vez que os esforços para a alavancagem da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) não estão dando resultado.

As negociações podem começar em breve e um acordo nesse sentido poderia ser anunciado já na reunião de cúpula da UE, em 9 de dezembro. De outro lado, a negociação entre o governo da Hungria e o FMI em torno de um novo empréstimo ao país ajudou a manter em pé a insegurança sobre a Europa.

Tudo o que sabemos sobre:
dólarBanco CentralPionner

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.