Dólar tem 4ª alta seguida puxado por exterior negativo

Cenário:

SILVANA ROCHA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2011 | 03h08

Mais uma semana termina sem uma solução à vista para a crise de dívida soberana na zona do euro, que se agravou nos últimos dias, mantendo os preços dos ativos sob forte pressão e gerando alta volatilidade. O temor de uma crise sistêmica, que desencadearia o efeito dominó e levaria o mundo para o lado recessivo, não foi afastado. O Banco Central Europeu (BCE) voltou a atuar ontem comprando bônus da Itália e da Espanha, para evitar uma escalada dos yields (retorno ao investidor). Diante do quadro de incertezas, os investidores não se atreveram a passar o final de semana descobertos e preferiram adotar a cautela.

Notícias de que o BCE poderia emprestar dinheiro para o FMI financiar pacotes de resgate para países em dificuldades da região do euro ganharam força nessa sexta-feira, o que ajudou a limitar as perdas nas bolsas. Nos EUA, o quadro também é desafiador. O supercomitê parlamentar criado para reduzir o déficit federal norte-americano trabalhará durante o fim de semana caso não conseguisse chegar a um acordo ainda ontem sobre os cortes de gastos de US$ 1,2 trilhão nos próximos 10 anos. O prazo para apresentar um acordo vence na próxima quarta-feira.

O dólar se descolou do exterior no período da tarde e subiu pelo quarto dia consecutivo no mercado à vista, valendo R$ 1,7830 (+0,17%). Na semana, a divisa apurou valorização de 2,24% e no mês, sobe 5,25%. O avanço da moeda norte-americana, porém, ocorreu com um giro financeiro bem inferior à média diária de negócios.

Em sintonia com os mercados acionários na Europa e nos EUA, a Bovespa teve perda semanal de 3,10% - pior resultado desde 23 de setembro. Ontem, o declínio foi de 0,45%, com o Ibovespa descendo aos 56.731,34 pontos, influenciado parcialmente pelo vencimento de opções sobre ações na segunda-feira. As blue chips fecharam em trajetórias distintas. Vale ON caiu 0,34% e PNA, -0,24%. Já Petrobrás ON subiu 0,85% e PN, +1,07%.

Em Nova York, o índice Dow Jones cedeu 0,22%, o S&P 500 teve variação negativa de 0,04% e o Nasdaq declinou 0,60%.

A perda de vitalidade do mercado de trabalho brasileiro - o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou número menor de vagas criadas em outubro - ajudou os juros futuros a continuarem o movimento de devolução de prêmios. Com giro fraco, porém, alguns vencimentos, sobretudo intermediários, ficaram de lado.

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