Dólar tem 7a alta seguida e já sobe quase 7% no ano

O dólar subiu pela sétima sessão consecutiva nesta quarta-feira, impulsionado pela saída de investidores estrangeiros do país, e fechou no maior patamar desde o início de setembro, a 1,859 real.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

27 Janeiro 2010 | 17h04

A valorização da moeda norte-americana em janeiro, com 15 altas em 18 sessões, já supera 6,7 por cento. Nesta quarta-feira, a variação foi de 1,25 por cento.

Analistas apontam para o exterior ao justificar a retirada de investimentos do país. Entre os fatores externos que preocupam o mercado há dias estão a questão fiscal da Grécia, o aperto monetário na China e a proposta de Barack Obama para reformular o sistema financeiro.

A postura do presidente dos Estados Unidos em relação a Wall Street será melhor avaliada nesta noite, com o discurso no Congresso sobre o Estado da União. A ansiedade antes da fala de Obama manteve o clima ruim no mercado internacional, impedindo que o dólar desse uma trégua no movimento de alta como era esperado por parte do mercado.

Além disso, a diferença de rendimento entre os bônus da Grécia e da Alemanha atingiu o recorde desde a criação do euro, indicado uma maior cautela com o país mediterrâneo. A piora aconteceu após o governo grego negar que esteja vendendo 25 bilhões de euros em bônus à China para financiar sua dívida.

Ativos de risco, como ações e commodities exibiram forte queda. No Brasil, o principal índice da bolsa paulista recuava pelo quinto dia seguido, ainda pressionado pelas vendas de investidores estrangeiros.

De acordo com o gerente de câmbio de um banco nacional, que preferiu não ser identificado, o mercado comentava nesta sessão que um fundo de pensão estrangeiro realizou ajustes na moeda brasileira e na chilena --que, em linha com o real, despencou 2 por cento frente ao dólar.

No mês, até o dia 22, os investidores não-residentes já acumulam em termos líquidos 969 milhões de reais em ações vendidas na BM&Bovespa. A saída de estrangeiros da bolsa ajudou a secar o superávit cambial do mês, que caiu a apenas 10 milhões de dólares na semana passada, segundo o Banco Central.

PRESSÕES INTERNAS

No ambiente doméstico, o mercado segue atento à piora nas contas externas e à possível atuação do Fundo Soberano na compra de dólares, juntamente com o BC.

As compras da autoridade monetária, inclusive, têm ajudado a sustentar a cotação do dólar, segundo o gerente de câmbio. "Já tem tesourarias mais agressivas que estão compradas e operando em cima do BC", disse.

Cálculos do banco francês BNP Paribas estimam que os bancos têm posições compradas no mercado à vista em torno de 2 bilhões de dólares. Caso essa posição se inverta, as compras poderiam atuar na direção contrária, favorecendo a queda do dólar.

No plano corporativo, a aquisição dos ativos de fertilizantes da Bunge no Brasil pela Vale, por 3,8 bilhões de reais, pode significar a saída de recursos do país, mas profissionais de mercado afirmaram que a notícia, já esperada, não afetou a taxa de câmbio nesta sessão.

"Isso já estava no preço", disse Marcelo Oliveira, operador da corretora BGC Liquidez.

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