Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Dólar tem a 3ª alta consecutiva e fecha cotado a R$ 3,45

Percepção de aumento do risco político, com a prisão do ex-ministro José Dirceu, trouxe incertezas e pesou sobre a cotação da moeda

Denise Abarca, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 17h06

O dólar começou a semana e o mês de agosto cravando sua terceira sessão seguida de alta ante o real, refletindo principalmente o agravamento das preocupações com o cenário doméstico, com influência também da cautela que deu o tom dos negócios no exterior. A moeda norte-americana terminou o dia com alta de 1%, cotada a R$ 3,451.

A semana em que o Congresso Nacional retorna do recesso sob a pressão de votar as medidas de ajuste fiscal começou já com a notícia da prisão do ex-ministro José Dirceu, dentro da Operação Lava Jato, o que agravou a percepção de risco político. Lá fora, dados decepcionantes da economia da China, dúvidas sobre o início do processo de alta de juros nos Estados Unidos e o tombo dos preços do petróleo afetaram as moedas de países emergentes e também as ligadas às commodities.

A moeda operou em alta ao longo de toda a sessão ante o real. Antes da abertura, os investidores já estavam na retranca por causa dos números divulgados na China no domingo à noite - entre eles a queda do índice de atividade do setor industrial para 47,8 na leitura final de julho, ante 49,4 em junho, em medição feita pela Caixin Media (antes HSBC). É o menor nível em dois anos e o quinto mês seguido abaixo da marca de 50,0, que indica contração da atividade. Os receios com a China ajudaram a deprimir os preços das commodities, afetando moedas como o dólar canadense e o dólar australiano.

Ao longo da manhã, a pressão do dólar ganhou força com a melhora nos dados de renda e consumo pessoal e índices de preços nos EUA, que alimentaram a percepção de que o Federal Reserve pode antecipar o início do aumento dos juros. No final do período matutino, contudo, o avanço perdeu fôlego após o índice de atividade do setor industrial dos EUA medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês), que caiu para 52,7 em julho, de 53,5 em junho.

Enquanto isso, no Brasil, a tensão com a volta do Congresso nos próximos dias recebeu o reforço da notícia da prisão de Dirceu na Lava Jato, uma vez que os desdobramentos podem complicar ainda mais a governabilidade da presidente Dilma e o processo de ajuste da economia. Dirceu está sob investigação por suposto recebimento de propinas disfarçadas na forma de consultorias, por meio de sua empresa JD assessoria, já desativada. A força-tarefa da Operação informou ter convicção que o ex-ministro da Casa Civil ajudou a instalar o esquema de corrupção na Petrobras e prosseguiu na atividade ilícita após o processo do mensalão, no qual foi condenado.

Nas questões técnicas, a decisão do Banco Central de manter o nível de rolagem de swaps cambiais que vencem em setembro em 60% durante o mês de agosto, anunciada na noite de sexta-feira, também ajudou a pressionar o real. Alguns players consideravam que esse patamar pudesse ser elevado diante da escalada do dólar nas últimas semanas.

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