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Dólar avança com temores sobre ajuste fiscal e possibilidade de queda dos juros

Enfraquecimento do petróleo também contribuiu para alta do dólar; Bolsa recuperou perdas do dia anterior e fechou em valorização com Petrobrás e Vale

Lucas Hirata e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2016 | 12h10
Atualizado 01 Setembro 2016 | 18h39

SÃO PAULO - O dólar avançou ante o real nesta quinta-feira, em meio à percepção de que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos pode diminuir até o final do ano. Enquanto o mercado já vinha analisando os sinais para a retomada do aperto monetário do Federal Reserve, o Banco Central do Brasil passou a dar sinais de que pode estar mais próximo de cortar a Selic. O movimento defensivo no câmbio nacional foi alimentado também por incertezas que rondam o governo de Michel Temer e o apoio político necessário para que o peemedebista consiga aprovar suas medidas de ajuste fiscal.

No mercado à vista, o dólar negociado no balcão fechou em alta de 0,76%, aos R$ 3,2513. De acordo com dados Bovespa, o volume de negócios somou US$ 1,111 bilhão. Já no segmento futuro, o contrato de dólar para outubro avançou 1,00%, aos R$ 3,2860, com giro de US$ 12,945 bilhões. 

A percepção sobre corte da Selic foi deixada quarta-feira, 31, à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom), quando retirou o trecho que apontava "não haver espaço para flexibilização da política monetária" de seu comunicado de decisão de juros. O BC manteve a Selic em 14,25%, patamar inalterado desde julho do ano passado.

Já nos Estados Unidos, o foco para o futuro da política monetária tem sido os indicadores econômicos e comentários de dirigentes. Nesta quinta-feira, 1, os dados de atividade industrial foram mistos, o que pode indicar que a maior economia do mundo pode não estar forte o suficiente para um aperto monetário. O grande evento da semana norte-americana será o relatório de empregos, conhecido como "payroll", previsto para sexta-feira, 2.

Outro fator que contribuiu para a alta do dólar ante o real hoje foi o sequencial enfraquecimento dos preços de petróleo. Os contratos futuros da commodity têm recuado ao longo da semana e chegaram a cair mais de 3% nos últimos dois dias.

Bolsa. A Bovespa recuperou nesta quinta-feira parte da queda da véspera e terminou o dia em alta de 0,58% aos 58.236,26 pontos. A alta foi amparada principalmente em ações como Petrobrás e Vale, que operaram descoladas de seus referenciais no exterior. 

O cenário político interno foi importante fonte de incertezas, mas teve pouca influência nos negócios, um dia após o impeachment de Dilma Rousseff e o polêmico acordo que resguardou seus direitos de elegibilidade. Com o presidente Michel Temer a caminho da reunião do G-20, na China, as atenções voltaram-se ao cenário internacional, onde persistem as discussões em torno dos juros nos Estados Unidos. 

Mercado de ações. A queda de mais de 2% dos preços do petróleo, ainda em repercussão ao aumento de estoques nos EUA, não foi suficiente para barrar as altas das ações da Petrobrás, que terminaram o dia com ganhos de 0,88% (ON) e 1,17% (PN). A justificativa para a recuperação foi a elevação da recomendação de compra e a revisão de preço-alvo feita pelo BTG Pactual. Nos últimos dias, a ação da estatal petrolífera já vinha sendo beneficiada pelo noticiário em torno de avanços no plano de desinvestimento da companhia.

Os papéis da Vale também se destacaram em alta, a despeito da queda de 1% dos preços do minério de ferro na China. Segundo operadores, o maior apetite por ações da Vale se apoiou na repercussão do resultado do PMI do setor industrial chinês, que subiu para 50,4 em agosto, ante 49,9 em julho. Ao final do pregão, Vale ON teve alta de 2,95% e Vale PNA, de 2,97%. 

Outro grupo de ações que se destacou foi o de empresas exportadoras, beneficiadas pela alta do dólar ante o real. Suzano PNA foi a maior alta do Ibovespa, com +6,86%. Fibria ON (+3,68%) e Klabin Unit (+1,47%) também se destacaram. O volume de negócios na Bolsa brasileira foi de R$ 7,75 bilhões, próximo da média das últimas semanas.  Veja o que você perdeu na economia no dia do impeachment.

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