Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dólar tem maior alta em 5 meses com piora do cenário político

Moeda subiu 3,11%, para R$ 3,76, enquanto a Bolsa caiu 3,56% diante da possível ida de Lula ao governo e de gravações que apontam tentativa de Mercadante de evitar delação de Delcídio

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 10h15
Atualizado 15 de março de 2016 | 17h57

O noticiário político dominou as atenções no mercado financeiro nesta terça-feira e deixou em segundo plano qualquer fato de outra natureza. A possibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornar ministro da Secretaria de Governo e os desdobramentos da homologação da delação premiada do senador Delcídio Amaral (MS) estiveram entre os principais fatores de influência nos negócios.

Após um dia de noticiário intenso e muitas incertezas quanto aos próximos acontecimentos, a Bovespa fechou em queda de 3,56%, aos 47.130,02 pontos. Já o dólar terminou o dia cotado a R$ 3,7612, com alta 3,11%, maior porcentual em um único dia desde 16 de outubro de 2015.

 

Também pesaram sobre os negócios as especulações em torno do uso de parte das reservas para o pagamento da dívida pública. Já a acusação de que o ministro Aloizio Mercadante teria manobrado para evitar a delação premiada do senador Delcídio Amaral adicionou volatilidade aos negócios.

Os ativos brasileiros vinham acumulando ganhos até a semana passada, com a análise de que os recentes fatos levariam ao afastamento da presidente Dilma Rousseff. Essa percepção ganhou força até os protestos de domingo contra o governo Dilma, Lula e em apoio ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato.

As especulações em torno da nomeação de Lula passaram a ganhar mais força desde que a Justiça de São Paulo encaminhou para Moro a decisão sobre a denúncia e o pedido de prisão de Lula feitos pelo Ministério Público paulista, no caso da propriedade do tríplex de Guarujá. A nomeação de Lula, além de dar foro privilegiado ao ex-presidente, teria por objetivo dar maior sobrevida ao governo Dilma. O resultado das especulações foi a forte queda das ações e forte alta do dólar.

O cenário internacional avesso ao risco acabou por reforçar essa tendência, uma vez que petróleo e minério de ferro tiveram quedas. As bolsas europeias fecharam em baixa e as americanas andaram de lado. Os papéis da Petrobrás tiveram queda de 10,68% (PN) e 6,60% (PN). Com esse resultado, as ações preferenciais da estatal anularam os ganhos que ainda acumulavam no mês. Por outro lado, as ações ordinárias do Banco do Brasil, que lideraram as quedas do Ibovespa (-21,17%), ainda conservam valorização de mais de 30% no mês.

 

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