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Carlos Severo/Fotos Públicas
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Dólar inicia 2016 em alta, cotado acima de R$ 4; Bolsa fecha no menor nível desde 2009

Moeda registra valorização próxima de 2%, influenciada por dados ruins da China e pela piora das projeções para a economia brasileira; Ibovespa tem queda de 2,79%

O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2016 | 09h26

Atualizado às 20h12

SÃO PAULO - Após fechar 2015 com alta de quase 50%, o dólar iniciou 2016 com forte valorização. A moeda fechou a primeira sessão do ano cotada a R$ 4,0344 em alta de 1,88%. A divisa americana foi influenciada pelas perdas recordes nas Bolsas da China e pela piora das projeções para a economia brasileira neste ano. A Bolsa também fechou em queda, no menor nóvel desde 2009.

A alta do dólar terminou em sintonia com o avanço da moeda ante praticamente todas as demais divisas no exterior. Por volta das 14 horas, a moeda era cotada a R$ 4,039, em alta de 2,01%. Na máxima do dia, chegou a alcançar R$ 4,069. 

Mais cedo, as bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram o primeiro pregão do ano com fortes perdas, após números decepcionantes sobre a manufatura da China reacenderem preocupações sobre a saúde da segunda maior economia do mundo. 

Os mercados chineses chegaram a fechar antes do horário normal, em meio à estreia de um novo sistema de circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações quando há movimentos muito intensos durante o pregão.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também operou em baixa e fechou o dia no menor nível desde 1° de abril de 2009. O recuo foi de 2,79%, aos 42.141,3 pontos. As perdas foram conduzidas principalmente pelas quedas de Vale e do setor financeiro.

Nos mercados norte-americanos, as quedas também foram generalizadas. O índice Dow Jones fechou com recuo de 1,58%, o S&P 500 em queda de 1,53% e o Nasdaq recuou 2,08%. Os mercados dos EUA também reagiram a indicadores ruins divulgados nesta segunda-feira. O principal deles, o índice de atividade do setor industrial apurado pela Markit Economics, caiu a 51,2 em dezembro e atingiu o menor patamar desde outubro de 2012. 

Já na Europa, a bolsa de Frankfurt fechou em queda de 4,28%, enquanto a de Paris teve perda de 2,47% e a de Londres, desvalorização de 2,39%. Além da cautela diante da desaceleração da China, os investidores se preparam para o provável fim - na próxima semana - de uma proibição de vendas a descoberto de ações, imposta em julho do ano passado.

Outro ponto que afeta principalmente o mercado de câmbio foi o fato de o governo chinês ter estabelecido a paridade do yuan com o dólar a 6,5032, o nível mais fraco para a moeda local desde 2011.

A desvalorização do real frente ao dólar também reflete as incertezas políticas e a piora das previsões para o PIB e para a inflação neste ano. Na primeira rodada de estimativas do ano, analistas consultados pelo Banco Central previram IPCA em 6,87% no ano, além de retração de quase 3% para a atividade econômica. 

(Com informações da Dow Jones Newswire e de Ana Luísa Westphalen, da Agência Estado)


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